Câmara ainda não foi notificada pela Justiça sobre suspensão de processo contra Ganem

A Justiça determinou, na última sexta-feira (30), que o presidente da Câmara fosse intimado da decisão, com urgência, no prazo de até cinco dias

De forma “preventiva” a comissão responsável por apurar a denúncia na CMBH suspendeu os trabalhos.

O presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), vereador Juliano Lopes (Podemos), ainda não recebeu formalmente o ofício da Justiça informando sobre a decisão que suspende o andamento do processo administrativo contra Lucas Ganem (Podemos), vereador licenciado da Casa.

À Itatiaia, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) afirmou que, na última sexta-feira (30), foi determinado que o presidente da Câmara fosse intimado da decisão, com urgência, no prazo de até cinco dias.

Preocupação com o tempo

De forma “preventiva”, o presidente da comissão processante responsável por apurar a denúncia contra Ganem, vereador Bruno Miranda (PDT), suspendeu os trabalhos do colegiado no início desta semana.

A medida teria como objetivo proteger o andamento dos trabalhos diante da decisão judicial, mesmo sem uma notificação formal enviada à Câmara.

Segundo o presidente da Casa, no entanto, a suspensão temporária feita de forma preventiva pela comissão não paralisa o prazo de 90 dias concedido ao colegiado para a apresentação do relatório final — que será votado em plenário. Ou seja, o tempo continua correndo.

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Desde o início das atividades, em janeiro, a comissão formada, de maneira aleatória, pelos vereadores Bruno Miranda, Edmar Branco (PCdoB) — relator — e Helton Júnior (PSD) tem encontrado dificuldades para avançar com os trabalhos.

As primeiras testemunhas do caso não compareceram ao depoimento marcado para a última quinta-feira, mesmo dia em que a decisão judicial foi proferida. Uma delas era o delegado da Polícia Federal (PF), Adriano Gechele de Freitas, que enviou um ofício antecipadamente informando que não poderia comparecer, uma vez que a investigação contra o vereador pela PF ainda está em andamento.

A outra testemunha era a proprietária do imóvel em que Ganem afirmou morar perante a Justiça Eleitoral, Fernanda Fraga Nogueira Duarte. Ela não compareceu à sessão e também não apresentou esclarecimentos para justificar a ausência.

Entenda o motivo do processo

O processo administrativo contra Ganem teve início após um advogado, sem ligação com a Câmara, formalizar uma denúncia alegando que o vereador teria cometido fraude eleitoral nas eleições de 2024.

A denúncia foi acatada pelo presidente da CMBH e aprovada por unanimidade pelos vereadores em plenário no dia 4 de dezembro.

De forma aleatória, foram sorteados três vereadores para compor a comissão processante responsável por apurar a denúncia. O grupo tem prazo de 90 dias para analisar o caso e apresentar um relatório final sobre o pedido de cassação, que será apreciado pelos parlamentares.

Paralelamente ao processo administrativo na Câmara, Ganem é alvo de um inquérito da PF por suspeita de fraude eleitoral. As investigações apontam que o vereador, natural de São Paulo, transferiu o domicílio eleitoral para Belo Horizonte no início de 2024, indicando um endereço em que nunca teria morado.

Em dezembro de 2025, a Justiça Eleitoral chegou a determinar a cassação de Ganem pelo mesmo motivo: fraude eleitoral. A decisão acatou uma denúncia apresentada por Rubão, ex-secretário de Esportes e Lazer da Prefeitura de Belo Horizonte e primeiro suplente do Podemos na Câmara.

Ainda no ano passado, Ganem pediu licença do mandato parlamentar por 121 dias. Rubão, por ser o primeiro suplente, foi convocado para assumir temporariamente a cadeira do vereador e tomou posse em janeiro.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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