Para o senador Renan Calheiros (MDB-AL), a crise envolvendo o Banco Master e a política brasileira se revelou “um câncer”. Com mais de 40 anos de vida pública - sendo 31 deles no Senado Federal -, o político alagoano não é estranho a tempestades políticas de Brasília.
Mas diante da crise que se instalou nos bastidores do poder a partir da operação que resultou na liquidação do banco de Daniel Vorcaro, o senador passou a defender agilidade e ampliação da pressão política e institucional sobre o caso Banco Master.
Veja a entrevista na íntegra:
“Nós precisamos lancetar esse tumor. Se você deixar o tumor como está, ele vai vascularizar, vai criar metástases”, afirmou, em entrevista à Itatiaia nesta quarta-feira (4).
A declaração foi feita ao defender que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado amplie a pressão por informações de órgãos como o Banco Central do Brasil, a Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União. Para o senador, a falta de esclarecimentos pode contaminar instituições que, segundo ele, deveriam ter interesse direto na elucidação dos fatos.
“Na medida em que você não responde as perguntas feitas pela sociedade, acaba o Banco Central, indevidamente, levando a culpa”, disse.
A comissão vai requisitar dados das seguintes instituições:
- Banco Central
- Polícia Federal
- Tribunal de Contas da União (TCU)
- Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Senador quer fim do sigilo no caso Master
Ele também cobrou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, para ampliar a publicidade das investigações. “Ele precisa, rapidamente, quebrar o sigilo de toda a investigação. A sociedade precisa acompanhar a investigação, saber o que aconteceu”, disse.
Apesar de defender a atuação da CAE, Renan afirmou que isso não impede a criação de uma CPI ou CPMI sobre o caso. “Uma coisa não funcionará em detrimento da outra”, declarou. E completou: “Eu assinei a CPMI e defendo a instalação. Acho que isso deve acontecer o mais rapidamente possível.”
O senador também tentou afastar o caráter partidário das apurações. “Eu não acredito em investigação politizada”, afirmou. Mas finalizou: “O vigarista não cobra ideologia para assaltar as pessoas.”