Justiça inglesa adia julgamento da tragédia de Mariana e reduz autores no processo

Definição feita nesta quarta-feira (4) altera o cronograma e determina que a segunda fase do processo em que a BHP foi responsabilizada pela tragédia se dará em 2027

Tragédia de Mariana, ocorrida em novembro de 2015, deixou 19 mortos e causou a maior tragédia ambiental da história do Brasil

A Justiça da Inglaterra adiou a segunda fase do julgamento sobre o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, para abril de 2027. A continuidade do processo estava prevista para outubro deste ano, mas foi alterada em uma Audiência de Gerenciamento de Caso (CMC) realizada nesta quarta-feira (4).

Em novembro do ano passado, o Tribunal Superior da Inglaterra encerrou a primeira fase do julgamento do caso, reconhecendo a responsabilidade da BHP no rompimento da barragem do Fundão, ocorrida em 2015. A empresa britânica é uma das controladoras da Samarco, empresa que operava a barragem cujo colapso causou 19 mortes e atingiu a bacia do Rio Doce no que é considerada a maior tragédia natural da história do Brasil.

O adiamento se deu diante da complexidade do julgamento que focará na quantificação dos danos e prejuízos gerados pelo rompimento. Em um novo cronograma construído a partir da mediação entre as propostas dos atingidos e da BHP, a fase de produção de provas deve seguir até dezembro de 2027 e as sustentações finais devem ocorrer em março de 2028.

A Justiça inglesa ainda estabeleceu que os atingidos que firmaram acordos de quitação plena e definitiva em programas de reparação no Brasil não poderão prosseguir com suas ações na Inglaterra. Segundo o Pogust Goodhead, escritório de advocacia que representa as vítimas, essa mudança significa que 380 mil pessoas — cerca de 61,3% do montante original de 620 mil autores — seguirão no caso.

Escritório das vítimas se posiciona

Em nota, o Pogust Goodhead afirma que a descontinuidade de parte das ações é resultado de uma estratégia coordenada pelas mineradoras com intuito de enfraquecer o processo internacional através de ofertas diretas às vítimas no Brasil. Segundo o escritório, a ampliação das ofertas de indenização em solo brasileiro foi impulsionada pela pressão exercida pelo avanço da ação em Londres.

Apesar das mudanças no calendário, o Pogust afirma que as perspectivas de êxito permanecem firmes, sustentadas pela sentença que já considerou a BHP responsável pelo maior desastre socioambiental da história do país. O adiamento é visto como um passo necessário para a preparação rigorosa exigida pela dimensão do caso, que busca reparação para as comunidades afetadas há mais de uma década.

BHP ressalta acordos no Brasil

Em nota, a BHP afirmou que continua a implementar o Novo Acordo do Rio Doce firmado com as autoridades públicas brasileiras em outubro de 2024, que assegurou um valor total de R$ 170bi para o processo de reparação com abrangência de mais de 610 mil pessoas.

A mineradora anglo-australiana afirmou ainda que apresentará um recurso perante a Corte de Apelação contra o julgamento de responsabilidade e continuará com sua defesa nas próximas fases do processo, certo de que o Brasil é o foro mais adequado para assegurar uma reparação justa e integral aos atingidos.

Leia também

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

Ouvindo...