O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou, em agenda em Brasília nesta terça-feira (3), que “tudo indica” que a privatização da Copasa deve acontecer ainda no primeiro semestre deste ano. “Queremos fazer o quanto antes. A privatização vai agilizar o atendimento, a universalização do fornecimento tanto de água quanto de tratamento de esgoto”, destacou.
“O que nós queremos é que o mineiro fique bem atendido, e um novo controlador, com agilidade, com mais recursos para investir, vai fazer isso com muito mais rapidez do que a própria Copasa como empresa estatal”, acrescentou o governador.
Defendido como uma forma de obter recursos para adequação aos moldes do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), o processo de privatização da Copasa foi o mais longo e conturbado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) durante o ano de 2025.
O PL 4.380/2025, em que o governador Romeu Zema (Novo) apresentou à ALMG sua ideia de privatizar a companhia de saneamento, teve sua tramitação precedida por uma atribulada discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023. Também de autoria do Executivo, o texto derrubou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa.
Com esforços de postergar a votação e evitar a venda da companhia, a oposição a Zema na Assembleia conseguiu fazer a discussão se arrastar por meses na Assembleia, mas a base governista logrou êxito na venda da empresa pública.
Reuniões com prefeitos
Em meio aos debates sobre a privatização da Copasa, a presidente da estatal, Marília Carvalho Melo, recebeu, no fim de janeiro, onze prefeitos de municípios mineiros para discutir a “nova fase da empresa” e “discutir caminhos para o cumprimento das metas de universalização do saneamento”. O encontro ocorreu a portas fechadas na sede da empresa em Belo Horizonte.
Esta foi a primeira de um série de reuniões que devem ser realizadas com gestores municipais, segundo a Copasa, com objetivo de envolver os 636 municípios onde a empresa opera até o fim de fevereiro.
“Sobretudo, esse momento de diálogo é para que a gente possa avançar com metas claras, com garantias de universalização para os municípios que têm concessão da Copasa, e investimentos pós processo de desestatização”, afirmou a presidente da estatal em nota encaminhada à imprensa.
O governo do estado detalhou que Marília fez uma apresentação que demonstrou que o ambiente regulatório atual é “mais exigente” e tem “metas desafiadoras” de investimento e competitividade. Isso, conforme o Executivo, “cria oportunidades para ampliar investimentos em obras e melhorias operacionais”.
“Em um cenário de desestatização da Companhia, também foram abordadas as possibilidades de aprimoramento dos vínculos jurídicos já existentes com os municípios”, diz o texto.