Ouvindo...

Times

Com câncer, Fabiana Justus faz uso de remédio de manutenção; entenda para que serve

‘Remédio de manutenção’ tem como objetivo retardar a doença após o transplante de medula óssea

Fabiana Justus relatou, recentemente, que começou a tomar remédio de manutenção. A influenciadora de 37 anos possui leucemia mieloide aguda, passou por um transplante de medula óssea e já recebeu alta médica do hospital. Porém, a partir de agora, ela irá uma semana inteira de cada mês ao local para receber a medicação. Desde a liberação médica, a filha de Roberto Justus comparece ao ambulatório duas vezes por semana para fazer exames de acompanhamento.

Líder nacional de leucemias agudas do grupo Oncoclínicas, o médico Evandro Fagundes explica para que serve o remédio de manutenção para pacientes com este tipo de doença. “São medicamentos que têm por finalidade impedir ou retardar uma recidiva da doença após o transplante”, destaca.

“Essa é uma forma de tratamento que do ponto de vista teórico é bastante interessante, mas ainda do ponto de vista prático ela tem alguns pontos ainda duvidosos”, comenta o médico, que esclarece. “Hoje, a gente tem, basicamente, os seguintes cenários: pacientes com leucemia mieloide aguda que têm determinadas alterações genéticas, por exemplo, mutação do gene FLT3, de modo geral, fazem tratamento com quimioterapia, transplante de medula e podem usar uma droga específica para inibir o gene”.

Conforme o médico, existem pessoas que têm leucemia mieloide aguda e fazem manutenção, porém “não tem uma droga específica para inibir determinado gene”. Mas, hoje, “nós temos uma droga chamada Azacitidina, que é com frequência utilizada nesse contexto. Existem estudos que mostraram benefício em se usar Azacitidina com manutenção pós-transplante e existem outros estudos nos quais esses benefícios não ficaram claros, não ficaram evidentes”.

Leia também

Porém, o remédio de manutenção não é indicado a todos os pacientes. “Não dá pra nós generalizarmos essa prática em todos os cenários”, pontua.

Importância da medicação

Evandro Fagundes explica a importância do remédio de manutenção para pacientes que fazem uso dele. “Em tese, é fazer com que o paciente não tenha uma recidiva após o transplante. Não é exatamente para recuperar do transplante, mas é manter a leucemia sob controle após o transplante”, afirma.

"É esse o conceito que está por trás. Obviamente, por conta desse conceito e por conta daqueles dados favoráveis e outros nem tanto, acaba ocorrendo uma certa seleção clínica dos pacientes que são submetidos a esse tipo de tratamento”, acrescenta.

Segundo o médico, a seleção é baseada em fatores de risco do paciente. “Então, por exemplo, existem pacientes cuja leucemia tem fator de risco mais agressivo e cujo o valor teórico da manutenção faz mais sentido do que em pacientes que têm aspectos menos agressivos da doença, com menos risco de recidiva, e, nesses pacientes, talvez a manutenção com Azacitidina faça um pouco menos sentido”.

Fagundes destaca que o remédio provavelmente não será tomado pelo resto da vida. “Não existe uma definição clara de qual é o tempo exato que a gente deve utilizar a manutenção, mas Azacitidina de um modo geral a gente utiliza por um ano após o término do transplante.”

“Com relação a inibidores do gene FLT3, esse prazo também é um pouco menos estabelecido, mas pode se usar por até dois anos. Com relação a inibidores do gene BCR ABL, geralmente a gente utiliza por dois ou até mais após o transplante”, completa.

Periodicidade

O médico explica que a periodicidade depende do tipo de manutenção realizada, assim como da droga. No caso da Azacitidina, “ela é subcutânea, se usa por cinco dias a cada quatro semanas, aproximadamente, por um prazo de 12 meses”.

“No caso dos inibidores de FLT3, inibidores de gene BCR ABL, que são mutações que podem acontecer em leucemias agudas, esses medicamentos são orais, ou seja, são comprimidos. Então o paciente usa diariamente como comprimido por um prazo de dois anos ou três anos, eventualmente.”

Diagnóstico de Fabiana Justus

No dia 25 de janeiro deste ano, Fabiana revelou ter sido diagnosticada com leucemia mieloide aguda e falou sobre a descoberta em vídeo postado nas redes sociais. Segundo a influenciadora, ela foi hospitalizada com ‘uma dor esquisita nas costas e febre’. A partir dali, ela foi internada, passou por exames, colocou o cateter e já começou a quimioterapia.

No dia 27 de março, Fabiana contou que conseguiu um doador 100% compatível com ela e que faria o tão esperado transplante de medula óssea. Após 13 dias, ela relatou que conseguiu a ‘pega’ e avançou no tratamento, recebendo alta hospitalar em 16 de abril.

Em meio a sua recuperação, Fabiana relatou estar lidando com mucosite, uma condição considerada comum após tratamentos que exigem quimioterapia.

Durante este período, além de idas ao hospital e exames, a influenciadora precisa tomar mais de 40 comprimidos diários para dar continuidade ao tratamento.


Participe dos canais da Itatiaia:

Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‘NaTelinha’ e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
Leia mais