OAB pede que STF derrube lei de SC que proibiu cotas raciais em universidades

Segundo a entidade, a Assembleia Legislativa catarinense teria interferido na competência exclusiva da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação

O presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), na segunda-feira (26), contra uma lei de Santa Catarina que proíbe a adoção de cotas raciais ou outras ações afirmativas por instituições de ensino superior públicas ou financiadas pelo estado.

Na ação, a entidade pede a suspensão imediata da norma e que a Corte declare sua inconstitucionalidade.

Segundo a OAB, a lei compromete o princípio da igualdade material, ofende a autonomia universitária, a separação de Poderes e o pacto federativo, já que a Assembleia Legislativa catarinense teria interferido na competência exclusiva da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação.

O órgão destaca ainda que o texto configura violação ao dever estatal de enfrentamento das desigualdades históricas e a “um tratado internacional de direitos humanos com estatura constitucional”, em referência à Convenção Interamericana contra o Racismo, que tem status de emenda constitucional no Brasil.

Para o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, a ação reafirma o papel institucional da entidade na proteção da Constituição. “A OAB tem o dever de reagir sempre que normas afrontem a ordem constitucional. As políticas afirmativas são instrumentos legítimos de justiça social, e a sua proibição compromete avanços civilizatórios que o país já consolidou”, declarou.

O processo agora será distribuído a um ministro relator, que poderá analisar o pedido de liminar de forma individual, o que derruba a legislação de forma imediata até que o caso seja avaliado em plenário.

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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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