Cão Orelha: políticos mineiros repudiam agressão e assassinato de mascote catarinense

Caso em que cão comunitário foi agredido e teve de passar por eutanásia gerou comoção nacional e repercutiu entre políticos adeptos da causa dos direitos dos animais

Cão Orelha foi brutalmente agredido e não suportou os ferimentos

O caso da morte do cão Orelha em Florianópolis-SC repercutiu entre os políticos mineiros alinhados à causa da proteção dos direitos dos animais. O cachorro era considerado um mascote da Praia Brava e precisou passar por um processo de eutanásia após ser encontrado com sinais de agressão no dia 15 de janeiro.

Os suspeitos de terem espancado Orelha são quatro adolescentes, que também são investigados pela tentativa de afogamento de um outro cão na Praia Brava. O caso é investigado pela Polícia Civil catarinense e mobilizou personalidades nas redes pela punição dos responsáveis.

Na política mineira, o deputado federal Fred Costa (PRD) tratou sobre as suspeitas de que os pais dos suspeitos tentam coagir a investigação e defendeu que os responsáveis sejam punidos. O parlamentar tem na pauta da defesa animal sua principal bandeira de mandato.

“É inadmissível um cão comunitário dócil ser agredido a pauladas por quatro adolescentes. Suas famílias não podem acobertar esse tipo de crime. Esses quatro rapazes representam um enorme risco também para a sociedade. Quem é ruim com os animais costuma ser ruim com as pessoas. Quem é ruim com os animais e pratica crime contra os animais têm maior propensão a cometer contra pessoas, sobretudo vulneráveis”, disse o parlamentar em vídeo publicado em seu perfil no Instagram.

Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado Noraldino Junior (PSB) liderou um abaixo-assinado para pressionar as autoridades catarinenses a avançar na investigação sobre a morte do cachorro. O parlamentar foi presidente da Comissão Extraordinária de Proteção aos Animais da Casa.

“Violência contra animais não é brincadeira, não é ‘coisa de adolescente’ e nunca é um fato isolado. É um sinal de alerta. A ciência é clara. A chamada Teoria do Link demonstra que a crueldade contra animais, especialmente na infância e na adolescência, está diretamente associada a maiores riscos de violência contra pessoas no futuro. Não é sentença, é marcador. Um aviso precoce de que algo precisa ser interrompido agora. Por isso, normalizar ou minimizar esse tipo de violência é extremamente perigoso. Proteger os animais é proteger a própria sociedade”, declarou o deputado em suas redes sociais.

Em Belo Horizonte, o vereador Osvaldo Lopes (PSD) também se manifestou sobre o caso. O parlamentar é uma das principais lideranças da causa animal no Legislativo da capital mineira e destacou a necessidade de rigidez na aplicação da Lei nº 14.064/2020, batizada de “Lei Sansão”.

“A Lei Sansão não prende ninguém automaticamente, ela aumenta a pena para maus tratos contra cães e gatos, mas prisão só existe depois de investigação, denúncia e condenação. Não é a comoção que coloca alguém atrás das grades. Quando o sistema falha ou trata esse crime como menor, a impunidade aparece e isso não é culpa da lei, é falta de prioridade”, afirmou o vereador.

A Lei Sansão foi batizada a partir de um pitbull que teve as duas patas traseiras decepadas em Confins, na Grande BH. O caso gerou comoção nacional e motivou a sanção da legislação que prevê prisão de dois a cinco anos para responsáveis por maus-tratos contra cães e gatos.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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