Às vésperas de privatização, Copasa recebe o dobro de recursos gastos em anos anteriores

Investimentos divulgados no Diário Oficial entre novembro de 2025 e janeiro deste ano chegam a R$ 1,6 bilhão e não passaram dos R$ 810 milhões no mesmo período nos dois anos anteriores

Privatização da Copasa foi aprovada na Assembleia em dezembro e empresa prepara efetivação da desestatização

Desde que a privatização da Copasa chegou ao plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em primeiro turno, em novembro do ano passado, os investimentos feitos na companhia somaram mais de R$ 1,6 bilhão. As cifras foram registradas a partir das publicações feitas no Diário Oficial do estado e simbolizam o dobro do registrado no mesmo período dos dois anos anteriores.

Entre novembro de 2023 e 20 de janeiro de 2024, os investimentos registrados somaram R$ 802,8 milhões. Já de novembro de 2024 a 20 de janeiro de 2025, as cifras chegaram a R$ 729,2 milhões. O aumento dos valores se dá em um momento em que a empresa se prepara para a entrega da estrutura à iniciativa privada, o que deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano, segundo as previsões da Copasa.

A Copasa afirma que o aumento nos valores fazem parte de um programa de universalização do saneamento básico em Minas e não está relacionado a nenhuma obrigação contratual atrelada à privatização.

Em nota enviada à Itatiaia, a Copasa afirma que os recursos aplicados na companhia refletem um movimento planejado de intensificação das atividades e da capacidade de execução da empresa.

“Confirmando essa tendência de crescimento robusto, o Conselho de Administração aprovou, em dezembro de 2025, um Programa de Investimentos na ordem de R$ 3,1 bilhões previstos especificamente para o exercício de 2026. Este ciclo de expansão projeta, inclusive, um aumento progressivo dos aportes para os próximos anos, com estimativas que partem de R$ 3,9 bilhões em 2027 e chegam a R$ 4,8 bilhões em 2028”, diz trecho da nota.

A companhia ainda afirma que a designação de recursos não tem vínculo com os processos de privatização e atende ao cumprimento de exigências regulatórias e operacionais. Segundo a Copasa, os investimentos têm como objetivo prioritário a universalização dos serviços de esgotamento sanitário, em conformidade com o Novo Marco do Saneamento.

O processo de privatização

Defendido como uma forma de obter recursos para adequação aos moldes do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), o processo de privatização da Copasa foi o mais longo e conturbado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) durante o ano de 2025.

O PL 4.380/2025, em que o governador Romeu Zema (Novo) apresentou à ALMG sua ideia de privatizar a companhia de saneamento, teve sua tramitação precedida por uma atribulada discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023. Também de autoria do Executivo, o texto derrubou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa.

Com esforços de postergar a votação e evitar a venda da companhia, a oposição a Zema na Assembleia conseguiu fazer a discussão se arrastar por meses na Assembleia, mas a base governista logrou êxito na venda da empresa.

Os investimentos

Entre novembro do ano passado e 20 de janeiro de 2026, metade dos investimentos na Copasa descritos em publicações no Diário Oficial versam sobre a universalização dos serviços de saneamento. Para essa finalidade, os decretos de créditos suplementares do estado somam R$ 832 milhões.

O restante dos investimentos estão divididos em ações descritas como adequação da infraestrutura administrativa e operacional; subsídios tarifários; convênios com a Cemig; aquisição de hidrômetros e a compra de artefatos como tubos de aço carbono, cloro líquido e policloreto de alumínio.

Leia também

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

Ouvindo...