O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, acelerou 0,7% em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (12). O indicador foi
Apesar da aceleração, este foi o melhor resultado do IPCA para fevereiro desde 2020 (0,25%). Na medição dos últimos 12 meses, o IPCA caiu de 4,41% em janeiro para 3,81%, aproximando a inflação da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Cabe lembrar que o objetivo do índice de preços possui um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para mais ou para menos.
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Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, se a inflação for compensada pela sazonalidade há uma continuidade do processo de desinflação. O especialista ressalta que a alta já era esperada, apesar de ter vindo acima da expectativa do mercado (0,64%).
“O dado de hoje foi o menor para fevereiro desde 2020, portanto, há indícios de que a piora observada nas últimas leituras são mais devido à sazonalidade de alta do que a uma possível reversão do processo de desinflação. Para os próximos meses, os potenciais impactos do conflito no Irã são causa de preocupação”, disse.
De acordo com o IBGE, o grupo Educação respondeu por cerca de 44% do índice de fevereiro. O grupo de Transportes também teve um aumento de 0,74%,
O grupo Alimentação e bebidas teve pequena variação na passagem de janeiro (0,23%) para fevereiro (0,26%). A alimentação no domicílio registrou 0,23% frente a 0,10% do mês anterior, com influência das altas do açaí (25,29%), do feijão-carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%).
O grupo Habitação apresentou variação de 0,30% em fevereiro, após a queda de 0,11% registrada em janeiro. A alta foi impulsionada pelo subitem taxa de água e esgoto (0,84%) em razão da apropriação dos seguintes reajustes: 6,21% e 4,69% em Porto Alegre (0,99%) vigentes desde 23 de fevereiro e 1º de janeiro, respectivamente; 6,56% em Belo Horizonte (7,07%) a partir de 22 de janeiro; 4,57% em Campo Grande (0,57%) a partir de 3 de janeiro e 6,48% em São Paulo (0,40%) desde 1º de janeiro.
Para os próximos meses, a preocupação reside na extensão do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no golfo pérsico. A guerra tem causado volatilidade no preço do petróleo, com o preço do barril saltando de US$ 70 para US$ 100, pressionando o custo dos combustíveis, item de maior peso individual na inflação. Também há risco de alta nos fertilizantes, fundamentais para o agro brasileiro.
“Além de possíveis efeitos de segunda ordem devido ao impacto sobre a cadeia global de suprimento por conta do fechamento do estreito de Ormuz. De toda forma, temos visto o câmbio bem-comportado em meio a essa incerteza e o fato de a economia brasileira ser exportadora líquida de petróleo, nos coloca em uma posição capaz de compensar parte dos efeitos negativos da alta do petróleo, uma vez que nossas receitas em dólar também aumentarão”, destacou André Valério.