Como a avaliação de governos afeta a intenção de voto?

A mais recente Genial Quaest aponta queda de quatro pontos na aprovação do governo Lula e uma situação de empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno

A avaliação e a aprovação de governos são dois indicadores um pouco diferentes, mas ambos muito importantes para as projeções de comportamento futuro, que apontam as chances de que o eleitor vote em uma direção ou em outra direção numa disputa entre um candidato do governo e o seu oponente. No contexto da disputa presidencial entre Lula (PT), candidato à reeleição e Flávio Bolsonaro (PL), candidato que desafia, esses dois indicadores são analisados com mais atenção junto ao grupo de eleitores chamados independentes, aqueles que não se declaram de antemão nem lulistas nem bolsonaristas; nem antipetistas, antibolsonaristas

No contexto da disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), em que o país está dividido, as opiniões se alteraram pouco nesse período de três meses junto a dois grandes grupos, que representam cerca de 66% do eleitorado: um terço do eleitorado é lulista ou antibolsonarista e o outro terço, bolsonarista ou antipetista. Ambos têm opiniões estáveis, com poucas oscilações desde o início do mandato de Lula, em janeiro de 2023. São opiniões cristalizadas. Nos últimos três meses, as maiores oscilações na aprovação do governo Lula se deram entre eleitores independentes, aqueles que não se declaram de antemão nem lulistas nem bolsonaristas; nem antipetistas, antibolsonaristas.

Em dezembro de 2025, a desaprovação do governo Lula era de 49% oscilou neste mês de março para 51%. E a aprovação do governo Lula, que era de 48%, caiu para 44%. Os segmentos em que Lula mais perdeu pontos: eleitores independentes, das regiões Sudeste e Centro-Oeste-Norte, com idade entre 35 e 59 anos, de escolaridade universitária, com renda de mais de 5 salários mínimos. Ao mesmo tempo, foi nesse grupo de independentes que Flávio Bolsonaro mais ganhou intenções de voto, alcançando uma situação de empate técnico no cenário simulado de segundo turno contra Lula.

O que pode explicar a perda de aprovação do governo Lula? Uma variável em particular merece maior atenção. Quando o brasileiro se manifesta em relação às suas preocupações, a segurança segue o principal problema apontado. O detalhe, contudo, é que houve uma queda nessa percepção: entre dezembro de 2025 e março de 2026, baixou de 36% para 27% o grupo que apontou a segurança como a sua maior preocupação. O único tema que cresceu na preocupação do brasileiro foi a corrupção, de 15% para 20% no mesmo período. Portanto, neste ano eleitoral, há em curso uma guerra de narrativas entre lulistas e bolsonaristas em torno de dois grandes escândalos – o caso Master e as fraudes do INSS. Dois escândalos que atravessaram governos e que atingem políticos de todas as ideologias.

Quem vencerá? A resposta está no plano na comunicação estratégica. Como e onde o brasileiro se informa, é pergunta que importa. As redes sociais foram apontadas como a plataforma mais acessada por 39% dos eleitores, à frente inclusive da televisão, indicada por 35%. Como as redes reproduzem informações de diferentes fontes, da imprensa profissional aos grupos políticos polarizados, os algoritmos assumem um peso importante na distribuição desta informação e no processo de formação das opiniões. Política, como tudo na vida, flui, só que com mais rapidez. Altos e baixos ainda estão por vir. Quem errar menos, terá mais chance de vencer.

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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