Qual o efeito do fator Cleitinho na sucessão estadual?

Candidatura do senador ao governo de Minas organiza o campo bolsonarista na disputa e põe pressão sobre o campo lulista, ainda sem candidatura formal, à espera do senador Rodrigo Pacheco

A formalização da candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo de Minas organiza o campo bolsonarista, até aqui, dividido entre três grupos e três caminhos diferentes para o PL no estado. Com o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o primeiro grupo trabalha pelo coligação ao PSD do vice-governador Mateus Simões. O segundo grupo se reúne em torno do empresário Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), defendendo a candidatura própria ao governo do estado. E o terceiro grupo, de parlamentares que se autointitulam “bolsonaristas autênticos”, já havia se posicionado em apoio ao senador Cleitinho. Como Cleitinho tem a simpatia de Flávio Bolsonaro (PL) e, neste momento, lidera as intenções de voto, a tendência é de que ele passe a operar como centro de gravidade do campo bolsonarista em Minas. Em política, isso funciona como o velho ditado: “a água do rio corre para o mar”.

Ao mesmo tempo, a candidatura de Cleitinho representa uma derrota política para Mateus Simões, que há mais de um ano fez vários movimentos para fazê-lo desistir. Mateus pretendia pegar carona na tração do bolsonarismo raiz, colocando-se no papel que agora assume Cleitinho, de centro de gravidade desse campo político. Há no entorno do governador Romeu Zema (Novo), candidato à presidência da República, emissários que tentam articular a posição dele como vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Seria tentativa de pressionar pela unidade do campo em Minas em torno de Mateus Simões. Mas, há no PL mais ligado à Flávio Bolsonaro a avaliação de que Zema não conseguiria entregar resultados em Minas muito diferentes daqueles que a própria dinâmica da polarização entre lulistas e bolsonaristas se encarregará de obter, como apontam as recentes pesquisas de intenção de voto. Mateus Simões está, portanto, espremido entre direita bolsonarista pela candidatura de Cleitinho; ao centro pelas candidaturas de Gabriel Azevedo e de Alexandre Kalil.

Sem ainda definição de um nome, o campo lulista em Minas aguarda o senador Rodrigo Pacheco (PSD), que tende a se filiar ao União Brasil. É esperada uma nova conversa entre o senador e o presidente Lula ainda esta semana. A legenda está com nova direção no estado, o que sinaliza para mudança de orientação política da Federação União-PP, antes anunciada por Mateus Simões em seu leque de alianças. Os sinais de Pacheco ainda não ambíguos: há entre os seus aliados aqueles que apostam que a candidatura dele está certa; e outros que avaliam que ele não concorrerá. Se alinhavado no plano nacional o acordo com União e PP em apoio a Rodrigo Pacheco, ele passará a operar como centro de gravidade do campo lulista em Minas. Mas, se Pacheco não se confirmar, a tendência é de que a federação busque o seu caminho que poderá ser Cleitinho, Mateus Simões ou a neutralidade.

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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