Em tempos de crise, o sorteio do Supremo Tribunal Federal (STF) para relatoria de casos parece mais uma roleta russa em que o sorteado ao invés de tirar a sorte grande acaba em maus lençóis. Por incrível que possa parecer, nesta quarta-feira (11), o ministro Dias Toffoli foi sorteado para relatar o processo que pede ao STF que determine a instalação da CPI do Banco Master. Justo ele que é citado por suspeita de envolvimento em negócios com Daniel Vorcaro. Do ponto de vista pessoal, ele poderia encarar como positivo se não estivesse envolvido na polêmica até o pescoço e com o parlamento cobrando seu afastamento da Suprema Corte.
Constrangimento
O sorteio acabou virando um constrangimento, um Cavalo de Tróia, e Toffoli teve que se declarar suspeito para o julgamento, Caso não o fizesse, afundaria ainda mais a Suprema Corte na crise que recai sobre os ministros por essa e outras polêmicas dentre elas acusação de perseguição política e invasão de competências do parlamento.
Estratégia da oposição
O imbróglio mostra que a estratégia dos parlamentares funcionou. O sorteio foi para o pedido protocolado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) que cobra a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara para apurar irregularidades financeiras do Banco Master.
No entanto, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) entrou com mandado de segurança, na última terça (10). pedindo que o STF determinasse a instalação da CPMI . O parlamentar, assim como toda oposição, suspeitava que não seria tarefa fácil. No entanto, todos sabiam que a pressão causaria algum tipo de constrangimento, que veio antes do imaginado.
O sorteio - para um pedido anterior - cair nas mãos do Toffoli gerou reações e brincadeiras entre os políticos em Brasília. Um deles disse que “tem que fazer CPI do sorteio no STF”.