Entidades acionam STF contra lei de Santa Catarina que veta cotas raciais

O PSOL, a UNE e o Educafro alegam que o texto, sancionado na última quinta-feira (22) pelo governador Jorginho Mello (PL), é inconstitucional

A Udesc, principal universidade afetada pela lei, adota a política de cotas raciais desde 2011.

O PSOL, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educafro — uma organização não governamental (ONG) — entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei sancionada em Santa Catarina que proíbe o uso de cotas raciais em vestibulares de instituições de ensino superior públicas ou financiadas com recursos estaduais.

O texto, sancionado pelo governador Jorginho Mello (PL-SC) na última quinta-feira, foi aprovado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em dezembro do ano passado, com sete votos contrários.

A proposta, de autoria do deputado estadual Alex Brasil (PL-SC), determina ainda que as instituições que descumprirem a medida estão sujeitas a multa de R$ 100 mil por edital e podem também perder os repasses do governo do estado.

A regra, no entanto, não afeta a reserva de vagas para estudantes com deficiência nem para aqueles que estudaram em escolas públicas e atendem a critérios econômicos.

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O fim das cotas raciais afeta especialmente a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), além de instituições do sistema da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) e demais faculdades privadas beneficiadas com recursos públicos por meio do programa Universidade Gratuita.

A Udesc — que adota a política de cotas raciais desde 2011 — lamentou a sanção da lei em nota e afirmou que, quando o texto foi aprovado pelos parlamentares no mês passado, p rocurou formalmente a Secretaria da Casa Civil para indicar que o projeto deveria ser barrado, uma vez que “contraria o interesse público e caracteriza um retrocesso inconstitucional e um dano irreparável ao processo social e científico”. O pedido, no entanto, não foi atendido.

De acordo com a Udesc, a interferência no processo seletivo, a partir da retirada das cotas, compromete a liberdade e a autonomia da instituição, além de diversos projetos pedagógicos e políticas de inclusão, acesso e permanência estudantil, considerados pela universidade como “essenciais para o cumprimento de sua função social”.

Na ação, protocolada na última sexta-feira (23) no Supremo, o PSOL, a Educafro e a UNE argumentam que a lei catarinense é inconstitucional por interferir diretamente na organização e no funcionamento administrativo das instituições, além de criar sanções disciplinares para agentes públicos.

As entidades alegam que o texto viola a igualdade material e o combate ao racismo, afronta a autonomia universitária, o princípio do não retrocesso social e o direito à educação, pedindo, assim, uma medida cautelar urgente para a suspensão imediata da eficácia da lei.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também classificou a proposta como inconstitucional e afirmou que procurou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

A Itatiaia procurou o governo de Santa Catarina, mas não obteve retorno.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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