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As provas contra Bolsonaro: PGR aponta plano para golpe e até assassinato de autoridades

Acusação vê indícios de golpe articulado; aliados do ex-presidente defendem que se trata de perseguição

Ex-presidente Bolsonaro estará no banco dos réus a partir do próximo dia 2 de setembro

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro chegou ao ponto central: as provas reunidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a acusação, Bolsonaro não aceitou a derrota nas eleições de 2022 e buscou, de diferentes formas, se manter no poder.

Entre os elementos apresentados está o episódio conhecido como Abin Paralela. A denúncia afirma que Bolsonaro teria usado a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência para perseguir adversários e monitorar autoridades consideradas “infiéis”.

Documentos apreendidos pela Polícia Federal também integram a lista de provas. Eles revelariam um plano para difundir ataques contra o sistema eletrônico de votação. A orientação, de acordo com os investigadores, era “repetir, sem parar, a ideia de que as urnas não eram seguras”, com o objetivo de descredibilizar o processo eleitoral.

Outra peça considerada chave é a chamada minuta do golpe, um decreto que previa intervenção no Judiciário e a convocação de novas eleições, impedindo a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Para a Polícia Federal, a existência do documento, somada à participação de militares e assessores próximos, indica um plano estruturado para legitimar a ruptura institucional.

A denúncia também cita o plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Do lado da defesa, aliados de Bolsonaro afirmam que se trata de perseguição política. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL) declarou:

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“Nós do PL já temos convicção de que o julgamento do nosso eterno presidente Bolsonaro é um julgamento político, nada jurídico. (...) É pura perseguição, nunca se viu um julgamento feito tão rápido e desrespeitando a Constituição como é o julgamento do nosso presidente Bolsonaro.”

Já para a oposição, os indícios são consistentes. O deputado Zeca Dirceu (PT) afirmou que “as provas contra Bolsonaro são muito, muito consistentes” e que “documentos foram entregues, documentos foram encontrados”. Para ele, “planejar golpe é crime” e “Bolsonaro vai ser condenado, vai ser preso e junto com ele, toda sua turma”.

Nas alegações finais, a defesa reforçou a tese de falta de provas. O advogado Celso Vilardi disse que, após buscas e apreensões, “não se achou absolutamente nada” com o ex-presidente. Ele ainda contestou a inclusão da chamada minuta do golpe como prova:

“Esse documento não foi achado com o presidente, não se achou absolutamente nada.”

Enquanto o julgamento avança, Bolsonaro se vê às voltas com um novo inquérito no Supremo Tribunal Federal. Ele é acusado de coação de autoridades, obstrução de justiça e até tentativa de atentado contra a soberania nacional. De acordo com a Polícia Federal, Bolsonaro e o filho Eduardo buscaram apoio nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras por meio de sanções internacionais.

Nossos repórteres escrevem todos os dias notas dos bastidores de Brasília
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.