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Brasil em chamas: país registrou alta de 166% em áreas queimadas em 2024

Levantamento da Ipam mostra que incêndios em reservas indígenas cresceram mais de 80% neste ano; maior área queimada está em grandes propriedades rurais

Com o aumento das queimadas no Pantanal, equipes do DF e RS vão ajudar no combate ao fogo

A área queimada no Brasil entre janeiro e agosto de 2024 foi 116% maior do que a registrada em 2023, atingindo 11 milhões de hectares no país. O levantamento, divulgado na quinta-feira (26), é de uma Nota Técnica produzida por pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e de outras organizações que compõem a Rede MapBiomas.

Conforme o levantamento, a maior área queimada foi registrada em imóveis rurais de grande porte, que responderam por 2,8 milhões de hectares queimados em 2024, até agosto.

A área queimada em terras indígenas, por sua vez, também passou por um aumento significativo, chegando a 3 milhões de hectares queimados — um aumento de 80% em relação ao ano passado.

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O levantamento também mostra que a origem do fogo varia de acordo com o bioma queimado, assim como o tipo de área mais atingida. Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam e uma das autoras do estudo, Amazônia e Cerrado (que concentram a maior parte da área queimada do Brasil) sofrem principalmente com o manejo de pastagens e a abertura de novas áreas de produção, que muitas vezes ocupam áreas de vegetação nativa.

“Na Amazônia, o desmatamento e a expansão agropecuária impulsionam um ciclo de queimadas. No Cerrado e Pantanal, o uso do fogo está muitas vezes ligado ao manejo de pastagens, inclusive as naturais, enquanto a Caatinga e a Mata Atlântica sofrem com incêndios de origem acidental ou decorrentes de práticas agropecuárias de pequena escala”, diz Ane.

Amazônia em chamas

Na Amazônia, bioma que mais queimou nos primeiros 8 meses de 2024, foi registrado um total de 5 milhões de hectares queimados, 87% a mais do que no ano passado. No bioma, destaca-se a grande proporção de queimadas em territórios indígenas e florestas públicas não destinadas, que corresponderam a 24% e 16% de tudo que queimou.

Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, a distribuição do fogo na Amazônia indica uma “forte pressão sobre áreas públicas protegidas formalmente, bem como sobre aquelas ainda em processo de destinação e áreas sem informação cadastral”.

Como propostas para o controle dos incêndios em todos os biomas, os pesquisadores sugerem, no levantamento, a implementação de medidas mais rigorosas para coibir o uso do fogo nas propriedades rurais, com o reforço de operações de combate ao uso ilegal do fogo e a divulgação das punições aplicadas.


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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio