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Em meio a alta no número de incêndios no Pantanal, servidores do Meio Ambiente entram em greve nesta semana

Paralisações dos servidores federais do Meio Ambiente deve acontecer em 21 estados

Número de queimadas na região do Pantanal foi recorde em junho deste ano

Com 2.3673 focos de fogo, o governo federal registrou número recorde no número de incêndios na região do Pantanal em junho. O cenário para o Meio Ambiente se torna ainda mais desafiador a partir dessa semana, com o anúncio de greves dos servidores da área em 21 estados brasileiros.

As paralisações começaram nesta segunda-feira (24) e os primeiros estados a paralisar as atividades são Paraíba, Pará, Acre e Rio Grande do Norte. Servidores do Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília, também iniciaram o movimento paredista.

Entre as principais reivindicações dos servidores do Meio Ambiente está a equiparação com a remuneração das carreiras de nível superior da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que, no passado, estava integrada ao Ibama. Após a separação, há servidores da ANA com salário inicial maior que o salário de final da carreira de especialista em meio ambiente.

Veja mais: Bioma mais afetado por queimadas, Pantanal ultrapassa 11 mil focos de incêndio em 2024

Integram o movimento funcionários públicos vinculados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao Serviço Florestal Brasileiro e ao MMA.

Os servidores da área ambiental já estavam com atividades de fiscalização e licenciamento e outras operações de campo suspensas desde janeiro, mas a greve nacional deve estender a paralisação para todas as áreas, inclusive os serviços administrativos.

A reportagem da Itatiaia entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente para saber os impactos que as paralisações terão nos serviços de combate aos incêndios e ao desmatamento, mas até a publicação desta matéria não houve resposta.

‘Piores situações já vistas no Pantanal’, diz Marina

Na segunda-feira (24), em entrevista coletiva, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), classificou a situação dos incêndios no Pantanal como preocupantes.

A ministra do Meio Ambiente e das Mudanças do Clima, Marina Silva, alertou, nesta segunda-feira (24), que os incêndios atuais no Pantanal são agravados pelos extremos climáticos e também por ações criminosas. “Estamos diante de uma das piores situações já vistas no Pantanal. Toda a bacia do Paraguai está em escassez hídrica severa”, disse Marina.

O número de focos de fogo no Pantanal chegou a 2.363 até 24 de junho. O total é quase seis vezes maior do que os 406 focos registrados em todo o mês de junho de 2020, pior ano em incêndios para a região, que ficou devastada.

A ministra anunciou o aumento do efetivo no combate ao fogo na região do Pantanal. “Teremos um adicional de 50 brigadistas do Ibama, 60 que virão da Força Nacional, além de termos também uma mobilização de mais brigadistas do Ibama a partir da necessidade que tivermos de fazer essas contratações, inclusive fazendo mudanças no marco regulatório, para que seja diminuído o interstício de seis meses para três meses e poder contratar esses brigadistas com mais celeridade”, disse Marina.

(Com agências)

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.