Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

Zema critica ‘retrocessos’ no governo Lula e diz que ‘novo Petrolão’ pode surgir

Governador de Minas discursou em cerimônia de encerramento do Cosud, em Porto Alegre, neste sábado (2)

Durante discurso de encerramento do encontro do Consórcio Sul-Sudeste (Cosud), que reúne governadores dos sete estados das duas regiões brasileiras em Porto Alegre, neste sábado (2), Romeu Zema (Novo) criticou o que chamou de “retrocessos” do governo federal. Sem citar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou seu partido, o PT, o governador mineiro disse que o governo federal, ao contrário dos estados do Cosud tem “olhado para o passado”.

Romeu Zema citou discussões sobre mudanças na Reforma Trabalhista e na autonomia do Banco Central, tema que foi abordado por Lula no ano passado, e disse que eventual alteração na Lei das Estatais pode fazer surgir um “novo Petrolão”.

O governador de Minas Gerais dizia sobre a queda da participação da economia brasileira a nível global quando criticou discussões levadas a cabo pelo governo Lula. De acordo com Romeu Zema, entre 1900 e 1980, o Brasil viveu uma realidade de crescimento econômico semelhante ao que a China atravessa nas últimas décadas. E que o percentual da participação do Brasil na economia mundial caiu de 4% para 2,3% nos últimos 40 anos.

“Infelizmente, de 1980 para cá, nós entramos naqueles países letárgicos de crescimento lento. O último dado que tive acesso, o Brasil representava 2,3% da economia do mundo, um retrocesso muito grande”, avaliou.

Leia também

Para Zema a explicação para esta queda é o que ele chamou de “olhar para o passado”.

"É lamentável que, depois do avanço da Reforma Trabalhista, temos gente que fica discutindo para desfazê-la. É lamentável que, depois da melhoria na governança das estatais, venhamos a perder tempo em desfazer esse grande avanço, que vai evitar que um novo Petrolão surja”, afirmou.

Desde o ano passado, o governo discute com trabalhadores e empresas a regulamentação para o trabalho de motoristas de aplicativo. O tema deve ser votado no Congresso Nacional e está em análise, ainda, no Supremo Tribunal Federal (STF) - que já decidiu que o entendimento sobre um caso específico que chegou à Corte valerá para todos os demais casos que estejam tramitando na Justiça.

Sobre a governança das estatais, Zema se refere à mudança na Lei das Estatais, que passou a permitir - por conta de decisão do STF - nomeação de pessoas que ocuparam cargo público ou de direção partidária em empresas controladas pelo estado ou bancos públicos, como o BNDES, por exemplo.

“Não podemos ter retrocesso no Marco do Saneamento tentando desfazer o que vai levar saneamento para milhões de brasileiros, questionando a autonomia do Banco Central, estamos vendo aí a queda da inflação. Um presidente que passa a controlar o Banco Central é um presidente que não vai ter zelo pela moeda, mas pela próxima reeleição”, criticou.

Reeleito em 2022 para um segundo mandato de quatro anos, Zema também voltou a citar que a intenção do presidente Lula é se perpetuar no poder.

“Isso só contribui para um ambiente de insegurança, de instabilidade e principalmente de falta de credibilidade. Isso é uma ducha de água fria nos investimentos. O que mais atrai investimento são regras claras e previsíveis e isso não temos assistido em um governo que o principal objetivo é só estender seus tentáculos para garantir reeleição e se perpetuar no poder eternamente”, atacou.

Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
Leia mais