Prefeito de Ribeirão das Neves defende expansão do metrô como ‘cenário ideal’ para RMBH

De acordo com o prefeito Túlio Raposo, o atual modelo rodoviário pelo sistema metropolitano não é mais eficiente para atender as 34 cidades da Grande BH

Túlio Raposo, eleito prefeito de Ribeirão das Neves.

A falta de integração entre as linhas metropolitanas e a demora no transporte intermunicipal ainda são algumas das principais preocupações dos municípios da Grande BH. Em conversa com a Itatiaia, o prefeito de Ribeirão das Neves, Túlio Raposo (Progressistas), da oitava maior cidade de Minas Gerais, apontou o “sonho” da expansão do metrô como o “cenário ideal” para solucionar, de vez, o problema da mobilidade urbana entre as 34 cidades que integram a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Ainda considerada uma “cidade-dormitório” — quando a população trabalha ou estuda em cidades vizinhas —, Ribeirão das Neves possui, de acordo com o último Censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 329.794 habitantes. Da população economicamente ativa do município, segundo o prefeito, cerca de 45% se deslocam para trabalhar fora dos limites municipais, muitas vezes dependendo do transporte público para sair e chegar em casa.

Neste ano, o governo de Minas entregou 78 novos ônibus para as linhas metropolitanas que atendem Ribeirão das Neves. A expectativa era que, até o fim deste ano, 850 novos veículos estivessem em atividade nas cidades da Grande BH.

Apesar de reconhecer o avanço com a renovação da frota, Raposo afirma, no entanto, que “o problema do transporte ainda não foi resolvido”.

Em outubro de 2025, o governo Lula (PT), por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério das Cidades, concluiu um estudo com projetos prioritários na área de mobilidade urbana e transporte público para a região metropolitana, com possibilidade de investimentos ao longo dos próximos 30 anos.

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O planejamento inclui a extensão da Linha 2 do Metrô BH, que já está em andamento, até o município de Ibirité, além da construção de uma terceira linha, que conectaria a Lagoinha ao Belvedere.

O projeto ainda prevê três linhas de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), com 92 quilômetros de extensão, contemplando Contagem, Betim, Belo Horizonte e também Ribeirão das Neves.

O estudo prevê o uso de Parcerias Público-Privadas (PPPs), fundos garantidores e captação de recursos tarifários para viabilizar as obras.

Investimentos na área da saúde

Além do transporte metropolitano, segundo o prefeito, outro grande problema de Ribeirão das Neves está na área da saúde, especificamente no fornecimento de medicamentos. De acordo com Raposo, no início da gestão, foram investidos cerca de R$ 10 milhões apenas na compra de remédios para “estabilizar o abastecimento” nos postos de saúde.

Ainda em dezembro deste ano, Raposo garantiu a entrega de uma nova Unidade Básica de Referência (UBR) no bairro Campo Silveira, na região Central de Ribeirão das Neves. Segundo o prefeito, a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Veneza também está em fase final, com entrega prevista para o segundo semestre de 2026.

Também no ano que vem, o município espera dar início às obras do novo hospital geral. Atualmente, em Ribeirão das Neves, quem busca atendimento médico que exige internação ou cirurgia, em casos mais complexos, pelo serviço público de saúde, depende exclusivamente do Hospital Municipal São Judas Tadeu — que tem previsão de retomar as cirurgias eletivas também no próximo semestre.

Em outubro, a Câmara Municipal de Ribeirão das Neves aprovou, em definitivo, um pedido de empréstimo da prefeitura no valor de R$ 88 milhões para a construção de um novo hospital. A estimativa é que o financiamento gere uma dívida total de até R$ 135 milhões para o município. “Estamos em conversas com as instituições bancárias que podem financiar essa obra. Já conversamos com a Caixa Econômica Federal, com o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e até com o próprio Banco do Brasil (BB) para entender quais oferecem as melhores condições. Vamos conduzir isso no início do ano”, disse.

Estereótipo de cidade “dos presídios”

Questionado pela Itatiaia sobre a pauta da segurança pública, o prefeito avalia que o estereótipo de “cidade violenta” não condiz mais com Ribeirão das Neves. Na visão dele, houve aumento da segurança e do policiamento no município ao longo dos anos e, atualmente, a cidade enfrenta problemas semelhantes aos das demais cidades da RMBH. “Não há nada que comprove que Ribeirão das Neves seja diferente de Vespasiano, Santa Luzia ou Contagem. Absorvemos esse estereótipo do passado, mas ele não corresponde à nossa realidade hoje”, afirmou.

Raposo, no entanto, reconhece que são necessários mais investimentos por parte do governo de Minas na segurança pública. “Entendemos que as forças do Estado precisam, sim, de novos investimentos, seja a Polícia Civil ou a Militar. Precisamos, junto com as esferas estadual e federal, elaborar políticas públicas de prevenção à violência”, disse.

Privatização da Copasa

Um levantamento do Instituto Trata Brasil apontou que metade da água tratada em Ribeirão das Neves, na Grande BH, não chega às residências. O município ocupa o quarto lugar no ranking nacional de desperdício, com 57,6% de perdas.

Segundo a pesquisa, os desperdícios ocorrem principalmente por dois motivos: vazamentos em redes, residências e comércios; e ligações clandestinas, os chamados “gatos”. A responsabilidade de fiscalizar e reparar esse tipo de vazamento é da Copasa, companhia estatal de saneamento.

Questionado pela reportagem, uma vez que Ribeirão das Neves é uma das cidades que concedem à Copasa o direito de explorar os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto, Raposo afirmou que dizer se é a favor ou contra a privatização seria uma resposta “muito fria”. “Quando a população fica sem água, o prefeito é responsabilizado, mesmo que não seja o responsável direto pelo serviço. Ele é responsável pela cidade. Isso tem incomodado os prefeitos, e tenho certeza de que, em muitos lugares, tem acontecido a mesma coisa”, avaliou.

Na última quarta-feira (17), a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em definitivo, o Projeto de Lei (PL), de autoria do Executivo, que autoriza a venda da Copasa. O texto prevê que o Estado, atualmente detentor de 50,03% das ações da companhia, deixe de controlar a empresa, presente em 75% dos municípios mineiros.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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