Com previsão de lançamento do texto final ainda este ano, o Plano Nacional de Logística 2050 (PNL), elaborado pelo Governo Federal, pretende estabelecer, por meio do Ministério dos Transportes, um plano estratégico para aprimorar o sistema de transporte brasileiro nos próximos 25 anos.
Diante da histórica concentração da matriz de transportes do país no modal rodoviário, a proposta é diversificar os modais, com ampliação do uso de ferrovias, hidrovias e aeroportos.
De acordo com o Relatório Executivo do PNL 2025, 65% de todas as cargas movimentadas no território nacional passam pelas rodovias.
O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, afirma que Minas Gerais reúne condições favoráveis para essa diversificação.
“A ferrovia no Brasil, especialmente em Minas Gerais, tem muitos trechos abandonados. Se você pega da Região Metropolitana de Belo Horizonte para a Bahia, há um tráfego de mais de mil carretas por dia. Dá para colocar um trem e viabilizar economicamente”, comenta.
Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT)
O estado também pode se destacar no transporte aéreo. Segundo Daniel Miranda, CEO da concessionária BH Airport, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, funciona como ponto estratégico de integração logística no país.
“Nós temos um hub logístico multimodal. Foi o primeiro do Brasil a operar como multimodal. Hoje, é um dos principais terminais de carga aérea do país. Não trazemos apenas carga aérea, mas também cargas marítimas e rodoviárias”, detalha.
Daniel Miranda, CEO do BH Airport
A presidente do Grupo Tora, Janaína Araújo, avalia que o Brasil ainda está distante da realidade de países desenvolvidos quando o tema é logística e integração entre modais.
“Acredito que a nossa grande dor ainda está associada à matriz de transportes. O Brasil ainda é um país eminentemente rodoviário: 65% das cargas transitam por rodovias. Apenas 20% passam por ferrovias e o modal aquaviário participa com menos de 15%. Isso é muito diferente da realidade dos países desenvolvidos, onde a participação das ferrovias é muito maior”, explica.
Janaína Araújo, presidente do Grupo Tora
Ramon Cunha, especialista em infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que as deficiências na infraestrutura de transporte elevam os custos da economia.
“Em 2022, o Movimento Brasil Competitivo, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, estimou que esse custo seria da ordem de R$ 1,7 trilhão ao ano. A infraestrutura representa cerca de R$ 300 bilhões desse montante. Esse custo afeta diretamente as empresas e também o bem-estar das famílias”, afirma.
Ramon Cunha, especialista em infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI
Ampliação dos investimentos
Ao comentar as perspectivas para o setor, o ministro dos Transportes, Renan Filho, destaca a expectativa de ampliação dos investimentos em ferrovias.
“Também esperamos, neste ano, como meta principal, garantir um volume elevado de leilões ferroviários, a fim de retirar da infraestrutura rodoviária o fluxo de carga pesada, como minério e grãos. Isso é muito importante para que o Brasil siga melhorando. Estamos em máxima histórica de investimentos, mas temos a certeza de que é preciso ampliar ainda mais. A meta para este ano é aumentar o investimento total no país”, diz.
Renan Filho, ministro dos Transportes
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