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Estado brasileiro reconhece mortes violentas de vítimas da ditadura militar em Minas

Familiares de 63 vítimas receberam certidões de desaparecidos políticos e assassinados durante o período militar

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma cêrimonia, nesta quinta-feira (28), reconhecendo o assassinato de pessoas pelo Estado brasileiro durante o período da ditadura militar. As famílias das vítimas receberam uma certidão de óbito.

Foram 63 certidões entregues em Minas Gerais e 20 familiares estiveram presentes para receber o documento em nome dessas pessoas. Ao todo, serão 434 certidões de desaparecidos políticos entregues em todo o Brasil, número total reconhecido pela Comissão Nacional da Verdade, informa Janine Melo, secretária executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

“Esse momento significa para a gente um avanço na consolidação da democracia brasileira. Hoje o Estado dá um passo no reconhecimento dos crimes que foram cometidos por agentes do Estado durante a ditadura militar”, acrescenta a secretária à Itatiaia.

O documento, que antes apenas reconhecia essas pessoas como mortas com base na Lei 9.140, de 1995, agora explicita que elas tiveram “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964", declara a ALMG.

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Na Cerimônia, esteve presente Vera Silvia Facciolla Paiva, filha do ex-deputado federal Rubens Paiva, torturado e assassinado pela repressão militar em 1971, caso retratado no filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional neste ano.

A Deputada estadual de Minas Gerais, Bella Gonçalves, também presente na cêrimonia, declarou ser um “dia histórico para Minas Gerais, para a Comissão de Direitos Humanos e para as famílias”.

“Pensar que até hoje algumas famílias de antigos torturadores da ditadura militar recebem pensão do estado e que as famílias que perderam seus familiares ainda aguardam uma certidão de óbito nos mostra que é um processo de luta histórica que agora tá dando um passo muito decisivo e muito importante”, reforça a deputada.

Apesar do avanço, Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, disse à Itatiaia que o número de 434 vítimas, revelado em 2014, representa uma parcela restrita dos vitimados pelo período militar.

“No Brasil a lei reconheceu como vítimas da ditadura apenas aquelas que eram militantes políticas essa lei de 95. Então por isso que a gente chegou nesse número de 434 pessoas até 2014. Só que esse critério foi um critério restritivo”, explicou.

“Hoje a gente sabe que também foram vítimas da ditadura camponeses que às vezes nem estavam organizados em movimentos políticos. (..) Temos apurado pelo menos 8.300 indígenas vitimados pela ditadura naquele período sem estarem ligados a movimentos políticos”, ela completa.

Mestrando em Comunicação Social na UFMG, é graduado em Jornalismo pela mesma Universidade. Na Itatiaia, é repórter de Cidades, Brasil e Mundo
Jornalista pela UFMG com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia desde 2022, atuou na produção de programas, na reportagem na Central de Trânsito e, atualmente, faz parte da editoria de Política.