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Ocupação da sede do DOPS em BH completa um mês

Manifestantes pedem a criação de um memorial em homenagem às vítimas da ditadura; previsão do governo de MG é executar o projeto em 2026

Manifestantes mantêm ocupação da antiga sede do Dops e pedem criação de memorial

A ocupação da antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), na avenida Afonso Pena, na região centro-sul de Belo Horizonte, completa um mês nesta quinta-feira (01). O espaço foi ocupado no dia 1º de abril por movimentos sociais como forma de pressionar o governo de Minas a criar um Memorial dos Direitos Humanos no local que é considerado um dos principais centros de repressão da Ditadura Militar na capital.

Atualmente, o espaço está aberto para visitas agendadas. Entre os espaços que podem ser vistos estão a fachada modernista que contrastava com o uso do edifício para tortura e aprisionamento, as salas onde interrogatórios e violência ocorriam, e as celas onde as pessoas ficavam presas.

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A principal reivindicação do grupo é pela criação da Casa da Liberdade, um espaço de memória que conte a história das violações dos direitos humanos cometidas no prédio, e também das resistências. A ideia principal é transformar o espaço em um centro de memória e educação sobre os crimes cometidos pelo Estado durante o regime militar.

Atualmente, o movimento de ocupação do prédio é acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que, em reunião realizada no dia 23 de abril, emitiu parecer favorável. O encontro também terminou com pedidos a diferentes órgãos do governo para obter informações, providências e apoio na concretização do projeto.

Cronograma do governo

O governo de Minas, através da Subsecretaria de Políticas de Habitação, ligada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, já apresentou um cronograma para o uso do imóvel:

Segundo trimestre de 2025

  • Regularização energética
  • Cronograma físico-financeiro de projeto museológico

Terceiro trimestre de 2025

  • Reparos emergenciais

Quarto trimestre de 2025

  • Projetos executivos

2026

  • Obras estruturais
  • Obras arquitetônicas e acessibilidade
  • Montagem de exposições

O movimento que ocupa o DOPS é formado por diversos grupos, como a Comissão da Verdade dos Trabalhadores (Covet), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), o coletivo Vozes Marias, o Instituto Carlos Campos, a Unidade Popular (UP) e o Movimento de Mulheres Olga Benário.

Eles denunciam o abandono do prédio, fechado desde 2018, e a falta de ações concretas do poder público para transformá-lo em memorial, como foi prometido ainda em 2018 pelo então governador Fernando Pimentel.

Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.