Zema enfrenta dificuldades na ALMG e líder de governo culpa regimento interno
Oposição diz que está cumprindo o seu papel e que base governista está enfraquecida

Com 46 deputados na base, o governo Romeu Zema (Novo) vive dias difíceis na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Escalado pelo chefe do Executivo para chefiar a articulação governista por ter origem e boa relação no Parlamento, o secretário Marcelo Aro (PP) enfrenta dificuldades parecidas com as vivenciadas pelo seu antecessor, Gustavo Valadares (PMN). Mesmo com número de deputados de sobra para manter os vetos de Zema, o governo tem dado margem para a oposição fazer 'barulho'.
Questionado pela Itatiaia sobre as dificuldades enfrentadas pela base governista, o líder do governo Zema no Parlamento, João Magalhães (MDB), disse que o regimento da Assembleia abre margem para muitos mecanismos de obstrução, artifício utilizado pela oposição para atrasar e evitar votações.
"O regimento aqui (na Assembleia) é antigoverno. Se a oposição resolver obstruir, tranquilamente gasta um dia inteiro para votar, para deixar votar um veto. Então, nós temos que ter paciência. Vamos tentar negociar, chegar a um denominador comum. Existem alguns temas que a oposição quer discutir, quer destacar e quer que a gente vote com eles. Então, isso que a gente está amadurecendo e vamos ver se até a próxima semana, ou quem sabe após o feriado, a gente possa trazer o entendimento e votar com tranquilidade os votos", explicou Magalhães.
Nesta semana, a base conseguiu manter dois vetos do governador, mas outros quatro ainda travam a pauta. A previsão de liberação da pauta é para depois da Semana Santa.
A reportagem procurou o secretário de Governo, Marcelo Aro, e outros integrantes do primeiro escalão do Executivo para comentar as críticas da oposição, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Visões diferentes na base
O presidente da Assembleia, Tadeu Martins Leite (MDB), reconheceu que há deputados com visões diferentes dentro da base governista e citou como exemplo o recuo do governo no veto que poderia prejudicar, segundo a oposição, a criação de centros de referência de autistas.
"Existe (visões distintas). Cada projeto, cada veto tem a sua peculiaridade. Nós sentimos dentro do plenário a necessidade, em um acordo com todos os deputados, de fazer um avanço naquele veto, por exemplo, do Centro do Autismo no Estado de Minas Gerais", disse.
A Itatiaia apurou que deputados governistas também estavam incomodados em votar com o governo pela manutenção do veto e eventualmente prejudicar a luta da causa autista em Minas. Após o pleito, o governo Zema autorizou a base a votar para derrubar o veto e disse sensibilizou com o tema.
Tadeuzinho admitiu que o governo poderia derrotar a obstrução da oposição. Mas concordou com o líder João Magalhães de que a votação poderia se arrastar por horas no Parlamento devido aos mecanismos de obstrução.
"É claro que a gente tem que entender que, porventura, a obstrução que a oposição fez e faz, de uma certa forma, poderia ser vencida, mas depois de muito tempo. Os deputados certamente ficariam sete, oito, nove horas ainda pelo kit de obstrução, digamos assim, que a oposição fez e, repito aqui, de forma legítima no Parlamento, para que a gente conseguisse votar os vetos", complementou.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



