O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi ameaçado e prisão caso decidisse desenvolver a ideia de golpe de Estado, além de contar com os incentivos do até então comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, para tentar permanecer no poder, conforme declarações do ex-chefe da Aeronáutica Baptista Júnior à Polícia Federal. Ainda segundo o relato,
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Após análise das novas declarações, a Polícia Federal avalia pode perceber a “participação efetiva” de Jair Bolsonaro na trama política. Segundo os agentes que investigam o caso, o ex-chefe do Executivo é diretamente implicado como agente do plano. O sigilo dos depoimentos realizados durante a operação foi rompido na última sexta-feira (15) pelo ministro Alexandre de Mores, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A iminência da derrota de Jair Bolsonaro contra seu adversário político, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levou o ex-presidente a convocar diversas reuniões “de emergência” no Palácio da Alvorada. As reuniões contaram com a presença de comendantes das Forças e do ministro da Defesa à época, Paulo Sérgio Nogueira. O inquérito ainda aponta a presença de um documento que sugeria a instauração do Estado de defesa ou de sítio e a deflagração da operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Segundo a investigação, a minuta encontrada no escritório do PL indica o primeiro passo para tentar impedir a posse do novo presidente eleito.
‘Racha’ entre as forças militares
Entre as lideranças militares, enquanto Garnier e Nogueira estavam alinhados com a proposta do ex-presidente, Baptista Júnior e Freire Gomes discordaram do plano, conforme o inquérito. O ex-chefe da Força Aérea Brasileira declarou aos investigadores que a discordância de Freire Gomes foi essencial para que o plano fosse interrompido.
“Em uma das reuniões dos comandantes das Forças com o então presidente da República, após o segundo turno das eleições, após o Presidente da República, Jair Bolsonaro, aventar a hipótese de atentar contra o regime democrático, por meio de alguns institutos previsto na Constituição (GLO ou Estado de Defesa, ou Estado de Sítio), o então comandante do Exército, general Freire Gomes, afirmou que caso tentasse tal ato teria que prender o presidente da República”, afirmou Baptista Júnior em depoimento.
Por outro lado, Garnier e Nogueira permaneceram em silêncio durante depoimento à PF.
Em dissonância com Baptista Júnior e Freire Gomes, Almir Garnier estimulou a ação após Bolsonaro apresentar a minuta. Ainda segundo o depoimento, o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, atuava como conselheiro jurídico.
“Em uma das reuniões com os comandantes das Forças após o segundo turno das eleições presidenciais, dentro do contexto apresentado pelo então presidente Jair Bolsonaro da possibilidade de utilização dos institutos jurídicos da GLO e do Estado de defesa, o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, afirmou que colocaria suas tropas à disposição de Jair Bolsonaro”, afirmou Baptista Júnior em depoimento.
O depoimento ainda diz que Bolsonaro se conformou com o cenário de derrota na disputa eleitoral, cenário que mudou após um
Baptista Júnior ressaltou em seu depoimento que a hipótese de golpe de estado não seria admitida pela FAB e que Freire concordou com o posicionamento. Apesar disso, segundo o relato de Baptista, Nogueira e Garnier não se posicionaram e permaneceram em silêncio.
Entenda
Na decisão da última sexta-feira (15), o ministro Alexandre de Moraes quebrou o sigilo de 27 depoimentos. Parte destes, no entanto, permaneceram em silêncio a frente dos investigadores.