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Governo Bolsonaro: entenda a polêmica sobre a suposta trama golpista encabeçada pelo ex-presidente

O ministro Alexandre de Moraes quebrou o sigilo de 27 depoimentos na última sexta-feira (15); medida foi justificada como necessária para ‘evitar a desinformação’ e ‘divulgações parciais’.

Na sequência, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o almirante Garnier Santos (ex-comandante da Marinha) e o tenente-brigadeiro Baptista Junior (ex-comandante da FAB)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi ameaçado e prisão caso decidisse desenvolver a ideia de golpe de Estado, além de contar com os incentivos do até então comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, para tentar permanecer no poder, conforme declarações do ex-chefe da Aeronáutica Baptista Júnior à Polícia Federal. Ainda segundo o relato, o general Freire Gomes afirmou que prenderia Bolsonaro se a trama avançasse. Em contrapartida, Almir Garnier disse a Bolsonaro que as tropas da Marinha estariam “à disposição”.

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Após análise das novas declarações, a Polícia Federal avalia pode perceber a “participação efetiva” de Jair Bolsonaro na trama política. Segundo os agentes que investigam o caso, o ex-chefe do Executivo é diretamente implicado como agente do plano. O sigilo dos depoimentos realizados durante a operação foi rompido na última sexta-feira (15) pelo ministro Alexandre de Mores, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A iminência da derrota de Jair Bolsonaro contra seu adversário político, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levou o ex-presidente a convocar diversas reuniões “de emergência” no Palácio da Alvorada. As reuniões contaram com a presença de comendantes das Forças e do ministro da Defesa à época, Paulo Sérgio Nogueira. O inquérito ainda aponta a presença de um documento que sugeria a instauração do Estado de defesa ou de sítio e a deflagração da operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Segundo a investigação, a minuta encontrada no escritório do PL indica o primeiro passo para tentar impedir a posse do novo presidente eleito.

‘Racha’ entre as forças militares

Entre as lideranças militares, enquanto Garnier e Nogueira estavam alinhados com a proposta do ex-presidente, Baptista Júnior e Freire Gomes discordaram do plano, conforme o inquérito. O ex-chefe da Força Aérea Brasileira declarou aos investigadores que a discordância de Freire Gomes foi essencial para que o plano fosse interrompido.

“Em uma das reuniões dos comandantes das Forças com o então presidente da República, após o segundo turno das eleições, após o Presidente da República, Jair Bolsonaro, aventar a hipótese de atentar contra o regime democrático, por meio de alguns institutos previsto na Constituição (GLO ou Estado de Defesa, ou Estado de Sítio), o então comandante do Exército, general Freire Gomes, afirmou que caso tentasse tal ato teria que prender o presidente da República”, afirmou Baptista Júnior em depoimento.

Por outro lado, Garnier e Nogueira permaneceram em silêncio durante depoimento à PF.

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Em dissonância com Baptista Júnior e Freire Gomes, Almir Garnier estimulou a ação após Bolsonaro apresentar a minuta. Ainda segundo o depoimento, o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, atuava como conselheiro jurídico.

“Em uma das reuniões com os comandantes das Forças após o segundo turno das eleições presidenciais, dentro do contexto apresentado pelo então presidente Jair Bolsonaro da possibilidade de utilização dos institutos jurídicos da GLO e do Estado de defesa, o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, afirmou que colocaria suas tropas à disposição de Jair Bolsonaro”, afirmou Baptista Júnior em depoimento.

O depoimento ainda diz que Bolsonaro se conformou com o cenário de derrota na disputa eleitoral, cenário que mudou após um estudo contratado pelo PL que supunha adulteração no sistema das urnas eletrônicas. As suspeitas nunca foram comprovadas. Baptista Júnior ainda disse que a possibilidade de não dar sequência ao plano assustava Bolsonaro.

Baptista Júnior ressaltou em seu depoimento que a hipótese de golpe de estado não seria admitida pela FAB e que Freire concordou com o posicionamento. Apesar disso, segundo o relato de Baptista, Nogueira e Garnier não se posicionaram e permaneceram em silêncio.

Entenda

Na decisão da última sexta-feira (15), o ministro Alexandre de Moraes quebrou o sigilo de 27 depoimentos. Parte destes, no entanto, permaneceram em silêncio a frente dos investigadores.

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Repórter de Política Nacional e Internacional na rádio Itatiaia. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pós-graduanda em Comunicação Governamental na PUC Minas. Sólida experiência no Legislativo e Executivo mineiro. Premiada na 7ª Olimpíada Nacional de História do Brasil da Universidade de Campinas.