Acusações sobre 'tom político' na CLJ da Câmara de BH geram embate entre vereadores
A CLJ rejeitou, nesta terça-feira, um projeto que criava o “Dia Municipal das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé”

O plenário desta terça-feira (14), na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), foi marcado por uma troca de acusações entre os vereadores. A discussão teve início após a vereadora Juhlia Santos (PSOL) criticar o que classificou como um tom “político” nos trabalhos da Comissão de Legislação e Justiça (CLJ).
A parlamentar, que já havia feito críticas ao colegiado em outras ocasiões, comentava o parecer pela rejeição, de autoria do vereador Uner Augusto (PL), ao Projeto de Lei (PL) 353/2025, que instituía o dia 21 de março como Dia Municipal das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. Por maioria de votos, o texto foi barrado pela CLJ.
Em plenário, Juhlia afirmou que ficou evidente o “posicionamento político” da comissão. “A CLJ deveria prezar pela constitucionalidade, mas quando é instrumentalizada como está sendo, acaba analisando o mérito. E o mérito é o quê? O seu posicionamento político. Quero agradecer ao senhor [Uner] por deixar em negrito a razão do parecer contrário ao projeto”, disse.
O vereador também minimizou as críticas de que a CLJ teria caráter político, ressaltando que outros projetos, de parlamentares do PT e do PSOL, já foram aprovados pela comissão.
O líder da bancada do PT na Câmara, Pedro Patrus, também teceu críticas ao colegiado. Ele afirmou que a CLJ tem sido usada, por alguns vereadores, como instrumento para aprovar textos de interesse ideológico, mesmo quando apresentam inconstitucionalidades.
"Concordo plenamente com o que a vereadora [Altoé] disse. BH tem projeto demais, mas precisamos entender o peso e a medida dos textos. Foi retirado, mas chegou a ser protocolado até o ‘Dia do Autoconhecimento’ nesta Casa — e, com certeza, se não tivesse sido retirado, teria sido aprovado tranquilamente".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



