Lula cita desejo por ‘acordo’ para renegociar dívida de Minas: ‘Não queremos sufocar o estado’

Presidente da República defendeu amortização dos débitos públicos estaduais; passivo mineiro junto à União é de R$ 160 bi

Presidente Lula concede entrevista à Itatiaia nesta quinta-feira (8)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quinta-feira (8), a construção de um acordo entre os governos federal e de Minas Gerais em prol da amortização da dívida estadual junto à União: cerca de R$ 160 bilhões. Em entrevista exclusiva à Itatiaia, ele disse que o Palácio do Planalto não quer “sufocar” as contas públicas mineiras e relatou felicidade pela proposta de renegociação do passivo, encampada por nomes como o presidente do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

“Não queremos sufocar Minas Gerais. Queremos, dentro daquilo que for possível, construir um acordo. Não só com Minas, mas com outros estados, para que a gente possa resolver o problema do endividamento dos estados brasileiros - para que as coisas possam voltar à normalidade”, apontou.

A proposta de Pacheco consiste, por exemplo, na federalização de estatais como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), que explora jazidas de nióbio no Alto Paranaíba. O repasse das empresas serviria para amortizar a dívida. O pacote prevê, ainda, o uso de créditos judiciais que o estado teria a receber a fim de diminuir o tamanho do prejuízo.

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Lula, porém, evitou cravar os termos do acordo com Minas Gerais.

“Não vou dizer o que vai entrar no acordo, se a Cemig vai entrar ou não, porque não tenho, ainda, um parecer do Ministério da Defesa. Mas o que queremos é fazer um acordo, porque não interessa para nós ter os estados endividados, sem nenhuma capacidade de investimento”, assinalou.

Neste momento, o pacote de Pacheco é analisado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), ligada ao Ministério da Fazenda. O governo federal, amparado por técnicos da equipe econômica do governador Romeu Zema (Novo), montou dois grupos de trabalho para debater o problema fiscal de Minas Gerais.

“Vou dizer que fiquei muito feliz quando o presidente do Senado apresentou a proposta, junto com o ministro Alexandre Silveira (de Minas e Energia). A proposta está, neste momento, no Ministério da Fazenda. (Fernando) Haddad está estudando e também demonstrou interesse na proposta. Quando a Fazenda der o ok, vamos conversar com o governador para saber se é possível fazer um acordo”, projetou.

Encontro com o governador Zema

O governador Romeu Zema, inclusive, nutre expectativa para conversar com Lula a respeito da dívida de Minas. Nessa quarta-feira (7), à CNN Brasil, o político do Novo falou sobre o tema.

“Falo que a União tem procedido como banco, e não como ente federativo. A dívida precisa ser corrigida, mas cobrar taxas de juros é, realmente, inviabilizar o pagamento. Minas Gerais e outros estados têm sido, em muito, prejudicados, ficando sem capacidade de dar uma saúde adequada e melhorar suas estradas devido a esse pagamento tão elevado”, pontuou.

Antes da proposta de Pacheco ser apresentada, o governo se amparava no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que prevê, por exemplo, a privatização da Codemig.

“O presidente do Senado levantou essa pauta e espero que tenhamos uma solução definitiva. É um problema antigo, que eu herdei — não fiz um real de dívida — e que precisa ser colocado à mesa. Caso contrário, vamos ficar mais 30 anos convivendo com esse problema, que já é tão antigo”, encerrou o chefe do Executivo estadual.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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