O acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia deve ser assinado nos próximos dias e a expectativa é que entre em vigor ainda neste ano, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante coletiva realizada nesta sexta feira (9).
Alckmin classificou o
Durante a coletiva, Alckmin reforçou a importância econômica da União Europeia para o Brasil. O bloco foi, no ano passado, o segundo maior destino das exportações da indústria de transformação brasileira, com vendas superiores a 26 bilhões de dólares. Ele lembrou ainda que a União Europeia foi o primeiro ou segundo principal mercado externo para 22 estados brasileiros e que cerca de 30% dos exportadores do país vendem para o bloco europeu.
Outro ponto destacado foi a sustentabilidade. Segundo o vice presidente, o acordo representa um avanço significativo nessa área, ao estabelecer compromissos concretos com as mudanças climáticas. Alckmin afirmou que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e citou como exemplo o uso de biocombustíveis: o país mistura 15% de biodiesel ao diesel, percentual que, segundo ele, não é adotado por nenhum outro país.
Para Alckmin, o acordo tende a estimular investimentos europeus no Mercosul e trazer benefícios diretos à sociedade, com produtos melhores e mais baratos. Na avaliação do ministro, o avanço do tratado envia uma mensagem ao mundo de que, mesmo em um ambiente internacional instável, ainda é possível construir consensos e fortalecer o comércio global.
Alckmin afirmou ainda que a cerimônia de assinatura do acordo deve ocorrer provavelmente no Paraguai, já que o país exerce neste ano a presidência do Mercosul. Segundo o vice-presidente, a concretização do tratado representa uma mudança estratégica na política comercial brasileira: “Você sai de um negacionismo de isolamento para uma abertura de mercado, isso é muito importante”, declarou. Questionado sobre o que foi decisivo para destravar o acordo após décadas, Alckmin apontou o empenho direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive durante sua atuação como presidente do Mercosul, e a mudança de postura do Brasil em relação à sustentabilidade, com compromissos claros na agenda climática. Sobre o cenário internacional e as tarifas atualmente praticadas pelos Estados Unidos, avaliou que a assinatura do acordo ajuda o Brasil a diversificar mercados e reduzir dependências em um ambiente global cada vez mais protecionista.