Vereador de BH quer transformar movimento ‘Legendários’ em política pública; entenda

Parlamentar propôs um projeto de lei que estipula o “Programa Grupo de Voluntários Legendários”, que seria um braço auxiliar da Defesa Civil da capital

Movimento ‘Legendários’

Após conseguir aprovar um dia para os Legendários no calendário oficial de Belo Horizonte, o vereador Wanderley Porto (PRD) agora quer transformar o grupo em política pública na capital mineira. O Projeto de Lei 650 de 2026, apresentado nesta terça-feira (3) na Câmara Municipal, prevê que seja instaurado um “Programa Grupo de Voluntários Legendários”, que seria um braço auxiliar da Defesa Civil de Belo Horizonte em “em ações de busca, salvamento, prevenção e apoio humanitário em situações de risco, desastre ou calamidade pública, bem como em atividades realizadas em áreas remotas ou de difícil acesso”.

Conforme o texto do projeto, a atuação seria estritamente voluntária e não remunerada, e ocorreria a partir de atuação coordenada com a Defesa Civil e outros órgãos públicos competentes. Segundo o texto, são objetivos do programa: prestar apoio em situações de emergência, calamidade e desastres naturais ou provocados; realizar ações de busca e salvamento de pessoas em áreas urbanas, rurais ou turísticas; apoiar campanhas de prevenção, preparação e resposta da Defesa Civil Municipal; promover treinamentos, simulados e capacitações voltadas à população para situações de risco e estimular o voluntariado e a cultura de resiliência no Município.

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“O Grupo de Voluntários Legendários será composto por voluntários integrantes da organização legendários, devidamente cadastrados, capacitados e autorizados a atuar conforme regulamentação da Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil — SUPDEC”, diz trecho do texto. Há previsão ainda de que despesas decorrentes do projeto de lei “correrão com ponta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário”.

Na justificativa da proposta, o parlamentar destaca que os Legendários “desenvolvem há anos um trabalho voluntário sério, organizado e tecnicamente capacitado”, citando atuações do grupo no Paraná, em 2025, quando houve apoio a famílias afetadas por enchentes, e no Rio Grande do Sul, em 2024, durante a tragédia climática que acometeu o estado naquele ano. “Essas operações demonstraram, na prática, a capacidade técnica, a organização, o espírito solidário e o alto grau de comprometimento do Grupo Legendários, que arriscou a própria segurança em prol da preservação da vida humana”, afirma Wanderley Porto.

A advogada especialista em direito público Isabela Damasceno afirma que o projeto é “confuso” em sua estrutura e que os vereadores não têm autonomia para criar atribuições para o Poder Executivo. “O texto vai criar uma reestruturação de uma secretaria, mas a prefeitura poderá fazer a estruturação se quiser. Na minha opinião, é um projeto que está muito confuso. Entendo que por mais que aleguem que seja voluntário, tem despesa. O Legislativo não pode gerir a máquina legislativa como se fosse o Executivo. É um projeto muito delicado e muito confuso, estruturalmente falando”, defende.

Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

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