Vencedores do Nobel assinam manifesto pela democracia e multilateralismo

O documento foi divulgado durante o evento ‘Democracia Sempre’, agenda paralela à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), organizada pelo Chile e o Brasil.

Bandeira da Organização das Nações Unidas

Um grupo de mais de 40 vencedores do prêmio Nobel assinou, nesta quarta-feira (24), um manifesto pela democracia e o multilateralismo. O documento foi divulgado durante o evento “Democracia Sempre”, agenda paralela à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), organizada pelo Chile e o Brasil.

“Em um momento de polarização política e instabilidade global, com a democracia ameaçada em vários setores, nós, os ganhadores do Prêmio Nobel abaixo assinados, afirmamos a importância da democracia e do multilateralismo e, consequentemente, escrevemos em apoio à Iniciativa de 20 países para promover a democracia por meio do fortalecimento das instituições, do combate à desigualdade de renda e do combate ao ecossistema de informações online”, iniciava o comunicado.

No comunicado, o grupo fazia elogios aos líderes que participam do evento “Democracia sempre” e que respeitam o “seu firme compromisso com a paz, o respeito ao direito internacional e ao direito internacional humanitário”.

O grupo cita direitos como a liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade acadêmica e a preocupação com os efeitos “intimidadores” sobre esses valores, bem como o “imenso poder de amplificação a desinformação que foi cedido às plataformas tecnológicas e agora às empresas de Inteligência Artificial Generativa”.

Leia também

Assinam o documento:

  • Joseph E. Stiglitz - Prêmio Nobel de Economia, 2001
  • Maria A. Ressa - Prêmio Nobel da Paz, 2021
  • Klaus von Klitzing - Prêmio Nobel de Física, 1985
  • Wole Soyinka - Prêmio Nobel de Literatura, 1986
  • Óscar Arias - Prêmio Nobel da Paz, 1987
  • Elias J. Corey - Prêmio Nobel de Química, 1990
  • Richard J. Roberts - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 1993
  • José Ramos-Horta - Prêmio Nobel da Paz, 1996
  • William D. Phillips - Prêmio Nobel de Física, 1997
  • Jody Williams - Prêmio Nobel da Paz, 1997
  • Louis J. Ignarro - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 1998
  • Anthony J. Leggett - Prêmio Nobel de Física, 2003
  • J. M. Coetzee - Prêmio Nobel de Literatura, 2003
  • Shirin Ebadi - Prêmio Nobel da Paz, 2003
  • Aaron Ciechanover - Prêmio Nobel de Química, 2004
  • Barry J. Marshall - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2005
  • John C. Mather - Prêmio Nobel de Física, 2006
  • Edmund “Ned” Phelps - Prêmio Nobel de Economia, 2006
  • Andrew Z. Fire - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2006
  • Roger D. Kornberg - Prêmio Nobel de Química, 2006
  • Orhan Pamuk - Prêmio Nobel de Literatura, 2006
  • Eric S. Maskin - Prêmio Nobel de Economia, 2007
  • Mario R. Capecchi - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2007
  • Martin Chalfie - Prêmio Nobel de Química, 2008
  • Jack W. Szostak - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2009
  • Leymah Gbowee - Prêmio Nobel da Paz, 2011
  • Tawakkol Karman - Prêmio Nobel da Paz, 2011
  • May-Britt Moser - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2014
  • Edvard I. Moser - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2014
  • Joachim Frank - Prêmio Nobel de Química, 2017
  • Richard Henderson - Prêmio Nobel de Química, 2017
  • Michel Mayor - Prêmio Nobel de Física, 2019
  • Gregg L. Semenza - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2019
  • Sir Peter J. Ratcliffe - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2019
  • Roger Penrose - Prêmio Nobel de Física, 2020
  • Guido W. Imbens - Prêmio Nobel de Economia, 2021
  • Annie Ernaux - Prêmio Nobel de Literatura, 2022
  • Narges Mohammadi - Prêmio Nobel da Paz, 2023
  • Geoffrey Hinton - Prêmio Nobel de Física, 2024
  • Daron Acemoglu - Prêmio Nobel de Economia, 2024
  • Gary Ruvkun - Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, 2024
  • Oleksandra Matviichuk - Centro para as Liberdades Civis, Paz, 2022
  • Sua Santidade o Dalai Lama - Prêmio Nobel da Paz, 1989

Leia o comunicado completo:

“Em um momento de polarização política e instabilidade global, com a democracia ameaçada em vários setores, nós, os ganhadores do Prêmio Nobel abaixo assinados, afirmamos a importância da democracia e do multilateralismo e, consequentemente, escrevemos em apoio à iniciativa de 20 países para promover a democracia por meio do fortalecimento das instituições, do combate à desigualdade de renda e do combate ao ecossistema de informações online.

Como ganhadores do Prêmio Nobel, elogiamos especialmente os líderes participantes da iniciativa “Democracia Sempre” por seu firme compromisso com a razão e por concordarem que, apesar das diferentes visões de mundo de seus membros, os fatos não podem ser falsificados. Também respeitamos seu firme compromisso com a paz, o respeito ao direito internacional e ao direito internacional humanitário.

Apoiamos a ênfase na importância de informações e notícias de qualidade para informar o público, promover o engajamento civil construtivo e promover a democracia. De fato, a liberdade de expressão é um direito humano reconhecido internacionalmente. Estamos especialmente preocupados com os efeitos intimidadores sobre a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e a liberdade acadêmica que ocorreram em muitos países e com os efeitos intimidadores dos processos por difamação contra jornalistas em todo o mundo; bem como com o imenso poder de amplificação da desinformação/má informação que foi cedido às plataformas tecnológicas e agora às empresas de IA Generativa.

Elogiamos os líderes por seu compromisso em transformar princípios nobres em ações concretas e esperamos trabalhar juntos no futuro para apoiar esta importante iniciativa.”

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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