Sem Pacheco, há possibilidade de eleição ao governo de Minas ser 'resolvida à direita'
Sem o senador, o cenário se fecha ao centro e à esquerda no embate pelo governo de Minas, com os principais nomes, conforme pesquisas de opinião, caminhando à direita

Sem Pacheco na corrida pelo Palácio Tiradentes, a eleição em Minas Gerais no ano que vem pode ser resolvida em uma disputa entre personagens à direita do espectro político. Cotado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o senador mineiro foi informado, nesta terça-feira (18), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que não será o escolhido para compor a Corte e, em entrevista à CNN Brasil, sinalizou “intenção de encerrar a vida pública” ao final de seu mandato de senador, em 2026.
Com isso, o cenário se fecha ao centro e à esquerda no embate pelo governo de Minas, com os principais nomes, conforme pesquisas de opinião, caminhando à direita. Dentre os pré-candidatos do campo conservador, há o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD).
O cientista político Adriano Cerqueira avalia que há a possibilidade de um segundo turno entre dois candidatos à direita em 2026, caso não haja uma aglomeração de candidaturas no campo conservador no pleito.
“Vejo que em Minas o legado negativo do Fernando Pimentel persiste, a esquerda, principalmente o PT, está desestruturada. Tem nomes como a Marília, mas não se projeta tanto assim no estado. Tudo indica uma guinada mais à direita”, pontua o professor.
Ele lembra que, pela importância eleitoral de Minas Gerais no cenário nacional, o PT ainda precisará de um palanque para Lula no estado, mas Cerqueira projeta que uma candidatura à esquerda ou centro-esquerda servirá apenas como “suporte” para a campanha do atual presidente.
“No limite, se houver um canibalismo no bom sentido da palavra entre Cleitinho e Simões, talvez uma candidatura mais à esquerda consiga pegar um terço do eleitorado. A chance que a esquerda tem em Minas é não se fragmentar em muitas candidaturas e torcer nesse processo de candidaturas competitivas à direita acontecer. Provavelmente possa haver um segundo turno com uma candidatura mais à direita”, completa.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



