Pré-candidato à Presidência, Zema defende privatização dos Correios

O governador de Minas tem as privatizações como uma de suas principais bandeiras desde que foi eleito para o primeiro mandato, em 2018

Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), usou as redes sociais para defender privatizações de empresas estatais. Após conseguir, no fim de 2025, a aprovação definitiva, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), da desestatização da Companhia de Saneamento (Copasa), o pré-candidato à Presidência da República publicou um vídeo, nesta terça-feira (6), no qual argumenta a favor da venda dos Correios.

Em um trecho do vídeo, Zema afirma que “já há muita coisa para fazer” em áreas que considera mais “prioritárias” para o país. “Na hora em que eu tenho os Correios no meu guarda-chuva, aquilo me toma tempo”, disse.

No material publicado, o governador também nega que uma eventual privatização da empresa pública resulte em queda na eficiência das entregas, especialmente em municípios do interior. Segundo ele, esses ajustes podem ser previstos por meio de cláusulas no contrato de concessão, caso os Correios fossem vendidos. “Não foi atendido? R$ 1 milhão em multas. Está resolvido. Desde que você faça um contrato, uma privatização bem feita, você tem condições de atender a todos”, argumentou.

Em dezembro, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, anunciou um plano de reestruturação da estatal, que enfrenta, atualmente, uma crise financeira.

Uma das medidas foi a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos — Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander. O objetivo, segundo a diretoria da estatal, é assegurar a liquidez da companhia até março de 2026.

Outra frente do plano é o Programa de Demissão Voluntária (PDV), voltado à redução de gastos com pessoal, com expectativa de adesão de até 15 mil funcionários.

A reestruturação também prevê o fechamento de mil agências deficitárias, das mais de 6 mil controladas pelos Correios, além da arrecadação de R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis da companhia.

Privatização da Copasa

Desde que o projeto que autoriza a venda da Copasa começou a avançar na ALMG, o governador tem evitado o uso da palavra “privatização” para se referir ao processo, optando pelo termo “modernização” da estatal.

Em segundo turno, a proposta obteve 53 votos favoráveis e 19 contrários. No Legislativo, o texto precisava de, pelo menos, 48 votos para seguir à sanção do governador, autor da proposta.

O projeto prevê que o Estado de Minas Gerais, atual detentor de 50,03% das ações da estatal, deixe de controlar a empresa, presente em cerca de 75% dos municípios mineiros.

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Para viabilizar a venda da companhia, Zema precisou aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, conhecida como PEC do Referendo. O texto, também aprovado pelos deputados, dispensou a realização de consulta popular para autorizar ou não a privatização ou federalização da Copasa — medida que poderia atrasar o processo.

Apesar do avanço em relação à Copasa, o Executivo mineiro não obteve êxito ao tentar adotar o mesmo trâmite com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), objetivo perseguido desde o primeiro mandato de Zema, iniciado em 2018.

À época, o então empresário defendia que a venda da estatal contribuiria para a redução das tarifas de energia.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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