Megaoperação policial do Rio mobiliza ação dos Três Poderes

Projetos, reuniões e decisões do STF foram desencadeados após a ação policial mais letal da história do estado

Dezenas de corpos são levados por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro

Pouco mais de duas semanas após a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, os Três Poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário — se mobilizaram em torno de medidas sobre segurança pública.

No dia 28 de outubro, a polícia do Rio realizou a operação mais letal da história do estado, nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em ao menos 121 mortes.

Desde então, o tema da segurança pública voltou ao centro da agenda política em Brasília, provocando reações e ações concretas em todas as esferas de poder.

Executivo

No âmbito do governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou, um dia após a operação, uma reunião de emergência com ministros para discutir medidas de resposta.

Uma das principais ações foi acelerar o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei “antifacção”, que endurece o combate ao crime organizado.

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O texto foi encaminhado no dia 31 de outubro, com aval do presidente Lula, e prevê penas mais severas para integrantes de facções, criando o tipo penal de “organização criminosa qualificada”.

Além disso, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, colocou peritos da Polícia Federal à disposição do governo do Rio para auxiliar na identificação dos corpos e na análise técnica da operação.

Legislativo

No Congresso Nacional, o episódio também provocou uma onda de mobilizações. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a segurança pública será prioridade nas próximas pautas legislativas.

Entre as propostas em tramitação, a que mais ganhou força é o projeto que equipara crimes cometidos por facções e milícias ao terrorismo.

A articulação é liderada pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), que reassumiu temporariamente seu mandato de deputado federal para relatar o texto na Câmara.

O projeto mira organizações como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo no conceito de terrorismo as ações que busquem “impor domínio territorial”. Atualmente, a pena para atos de terrorismo varia de 12 a 30 anos de prisão, o que ampliaria significativamente a punição a integrantes de facções.

Além disso, o Senado também decidiu criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que vai investigar a estrutura e a expansão de facções criminosas e milícias em todo o país.

Judiciário

O Supremo Tribunal Federal (STF) também se movimentou diante das repercussões da operação. A ação foi discutida no âmbito da ADPF das Favelas, processo que busca reduzir violações de direitos humanos em operações policiais no Rio.

Com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, a relatoria provisória da ADPF passou para Alexandre de Moraes, que tomou medidas imediatas após os confrontos.

Moraes determinou a preservação de todas as provas relacionadas à operação e autorizou a presença de assistentes técnicos independentes nas perícias, para assegurar a lisura das investigações.

O ministro também viajou ao Rio de Janeiro para se reunir com autoridades locais, como o governador Cláudio Castro e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, além de realizar uma audiência com entidades de direitos humanos, que apontaram possíveis falhas e violações durante a ação policial.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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