Lula impõe condição para discutir exploração de terras raras com Trump

Lula defende mudança no modelo de exportação de matérias-primas e evita comentar decisão da Suprema Corte dos EUA

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante coletiva de imprensa em Nova Delhi, na Índia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu o jogo neste domingo (22) sobre a pauta que pretende abordar na reunião prevista com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em março. Entre os temas, o presidente pretende discutir minerais críticos, combate ao tráfico de drogas e relações comerciais.

Em entrevista coletiva antes de deixar a Índia, onde cumpriu agenda oficial, Lula disse que o encontro deverá ocorrer sem restrições de pauta e indicou que o governo brasileiro quer reposicionar o país na cadeia global de exploração de terras raras - insumos considerados essenciais para a indústria tecnológica e de transição energética.

“Eu disse ao presidente Trump que é preciso a gente pegar um na mão do outro, olhar no olho e dizer o que a gente quer entre Brasil e Estados Unidos. Não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação”, afirmou.

Leia mais: Brasil tem segunda maior reserva de terras raras do mundo

Segundo o presidente, o Brasil aceitará parcerias internacionais apenas se houver processamento industrial no território nacional.

Leia também

Lula acrescentou que o país não pretende repetir o modelo histórico de exportação de matérias-primas sem agregação de valor. “O que nós não vamos permitir mais é que os nossos minérios críticos e as nossas terras raras sejam explorados como foi o minério de ferro durante tantos anos. A gente manda o minério para fora e depois compra o produto manufaturado. Nós agora queremos transformar no Brasil”, disse.

A exploração de minerais críticos ganhou peso na agenda diplomática brasileira diante da disputa global por insumos usados em baterias, semicondutores e equipamentos de energia limpa, setores dominados hoje por cadeias produtivas concentradas na Ásia.

Cautela após decisão nos EUA

Questionado sobre a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que barrou parte do tarifaço anunciado por Trump, Lula evitou comentários diretos sobre o Judiciário americano. Um dia após a decisão, o governo dos EUA anunciou novas tarifas globais de 10%.

“Obviamente, não posso julgar a decisão da Suprema Corte de um país. Não julgo a do meu, muito menos a de outro”, afirmou.

O presidente disse que o Brasil acompanha o cenário com prudência e evitou antecipar possíveis reações comerciais. “Tenho a ideia de não tomar nenhuma decisão quando estou com 39 graus de febre. É preciso esperar a febre passar para tomar decisão”, declarou, acrescentando que parte das medidas consideradas negativas ao Brasil já havia sido revista pelo próprio governo americano.

Agenda na Coreia do Sul

Ainda neste domingo, Lula e a comitiva presidencial desembarcam em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do petista ao país.

Durante a viagem, os dois governos devem adotar o Plano de Ação Trienal 2026–2029, voltado ao aprofundamento das relações bilaterais e à elevação do vínculo entre os países ao nível de parceria estratégica, com foco em tecnologia, indústria e inovação.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

Ouvindo...