Inadequação à reforma tributária pode causar prejuízos a centenas de cidades de MG

Associação Mineira de Municípios (AMM) alerta para problemas na adesão ao padrão nacional da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e)

A padronização da nota fiscal eletrônica faz parte das medidas da reforma tributária

A adequação ao cronograma à reforma tributária acendeu uma luz amarela na Associação Mineira de Municípios (AMM) com a chegada de 2026. A baixa adesão ao padrão nacional da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) é motivo de alerta enviado pela organização aos associados, já que o prazo venceu a partir de 1º de janeiro. Atualmente, 529 das 853 cidades do estado ainda não completaram os processos para emitir o documento no novo formato.

Em alerta publicado na última segunda-feira (5), a AMM apontou que o descumprimento com os prazos pode impactar a renda dos municípios com a suspensão das transferências voluntárias federais, o que inclui as emendas parlamentares.

Dados da Receita Federal apontam que 13 cidades mineiras não aderiram ao convênio da NFS-e nacional e outras 516 aderiram ao modelo, mas ainda não emitem as notas no Ambiente de Dados Nacional.

Outras 140 cidades estão em fase de configuração de sistemas próprios e 184 municípios já operam com status “ativo operacional”, emitindo regularmente a NFS-e nacional.

Incluída entre as medidas de unificação do modelo nacional, a emissão das NFS-e padronizadas integra as medidas da reforma tributária para reduzir a complexidade e a lista de obrigações paralelas nos sistemas de tributação dos entes da federação: governo federal, estados e municípios.

À Itatiaia, Tiago Ferreira, assessor jurídico da AMM, explicou que problemas técnicos podem ser a razão para que mais da metade das cidades mineiras ainda não esteja emitindo as notas fiscais eletrônicas no Ambiente de Dados Nacional. Ele reforça o alerta para que cada administração municipal verifique as causas da inadequação.

“O convênio dessas 516 cidades está ativo na plataforma, toda a parametrização foi efetuada, mas o compartilhamento da nota fiscal no ambiente de dados não foi realizado. A priori não há nenhum impedimento do campo de vista jurídico. Pode sim ser do campo de vista técnico, até por questões de sistemas próprios contratados pelos municípios para gestão fiscal e tudo mais. A gente não consegue ter informações sobre qual é o desafio do município na hora de transferir esses dados do ambiente de dados nacional. A gente não consegue mensurar porque cada município tem uma realidade, cada município tem um sistema diferente”, afirmou.

Possível impacto econômico preocupa

A suspensão de transferências aos municípios inclui recursos como emendas parlamentares. Segundo o portal do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), só em 2025 os repasses de deputados federais e senadores a cidades mineiras somaram R$ 1,2 bilhão. Nos últimos cinco anos, esse tipo de verba adicionou R$ 12,2 bilhões aos cofres municipais em Minas.

Tiago Ferreira acrescentou que o impacto de uma eventual suspensão de repasses é ainda mais significativo nos municípios pequenos, que têm seu orçamento dependente de verbas como as provenientes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM)

“O impacto é considerado muito alto aos municípios, principalmente aqueles municípios que têm os coeficientes de distribuição, do FPM 0,6, aqueles municípios de baixo porte. Porque o que eles recebem de transferência da União chega a ser a 56% do orçamento, segundo dados de 2024. E o que eles recebem de transferência do Estado é 22%. Se a gente contar que a receita própria desses municípios chega à casa de 5%, a vedação dessas transferências voluntárias impactam diretamente na receita que o município usufruirá na decorrência do ano de 2026”, exemplificou.

Atuação da AMM na reforma tributária

A reforma tributária é um desafio para os municípios não apenas em 2026 e em relação à nota fiscal eletrônica. Até a virada para o próximo ano, por exemplo, as cidades devem aderir ao Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais (SINTER), por meio do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB)

No fim deste mês, a Escola de Gestão Municipalista (EGM) da AMM oferecerá um curso para membros de prefeituras do estado para a capacitação de gestores no âmbito das mudanças na legislação tributária. O assessor jurídico da associação listou mais ações sobre o assunto ao longo do ano.

“Ao longo do ano de 2026 existirão outros cursos além de ter o planejamento de ter um evento específico sobre a reforma tributária e o nosso Congresso Mineiro de Municípios, que vai ter uma parte também dedicada ao tema”, concluiu.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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