Ampliação da fiscalização de emendas e licitações estão nas metas do TCE-MG para 2026

Em entrevista à Itatiaia, presidente do Tribunal de Contas de Minas projetou áreas de atenção do órgão em 2026

Conselheiro Durval Ângelo foi eleito presidente do TCE-MG

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) teve teve sua atuação em 2025 marcada pela participação em temas de destaque na política mineira. Para 2026, o órgão projeta a manutenção e ampliação de projetos como o uso da inteligência artificial para fiscalizar a totalidade das licitações abertas em Minas e permitir o acompanhamento das emendas parlamentares em âmbito municipal, estadual e federal. Em entrevista à Itatiaia, o conselheiro e presidente do órgão, Durval Ângelo, traçou as expectativas para o ano que se inicia.

Segundo o conselheiro, um dos principais objetivos do tribunal para 2026 é ampliar o controle sobre as emendas parlamentares. Depois da criação de um portal que reúne dados de emendas federais e estaduais, o TCE-MG prepara a disponibilização das informações relativas às emendas municipais. Durval Ângelo cita a exigência da disponibilização das informações, como definido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A partir de janeiro do ano que vem, nós também vamos ter disponível em nosso portal todas as emendas de municípios que têm o pagamento de emendas obrigatórias. Os municípios que não investirem na transparência e na rastreabilidade, a partir de fevereiro, conforme a decisão do Flávio Dino, terão suspensos todos os pagamentos de emendas. O estado já faz, a União também e os municípios vão ter que fazer. Entendemos que é a luz do sol que previne tudo. É o melhor alvejante, aquilo que realmente impede vícios ou desvios ou irregularidades”, destacou Ângelo.

Outro objetivo central citado pelo presidente do TCE-MG para o próximo ano é atingir a cobertura total das licitações públicas por meio de inteligência artificial. Atualmente, quase todos os processos licitatórios em Minas Gerais já são acompanhados previamente por robôs de fiscalização

Mesas de consensualidade e convênios

As mesas de consensualidade também aparecem como prioridade para 2026 no planejamento de Durval Ângelo. O instrumento, criado em 2025, reuniu partes em conflito para áreas como meio ambiente, mobilidade urbana e saúde.

Para o próximo ano, o TCE-MG pretende usar o mecanismo para tratar de temas como a situação do Hospital de Conceição do Mato Dentro, as dívidas relacionadas ao cumprimento dos mínimos constitucionais da saúde e da educação e o déficit de saneamento básico em municípios atendidos pela Copasa.

Por fim, o fortalecimento de convênios institucionais é apontado como estratégico para ampliar a atuação do TCE-MG em 2026. Parcerias com entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Mineira dos Municípios (AMM), universidades e órgãos federais devem apoiar a capacitação de gestores públicos, especialmente diante dos impactos da reforma tributária.

“Fizemos nove encontros técnicos para discutir a reforma tributária e tivemos quase 500 municípios mineiros participando. Foi muito importante porque a reforma já começa no ano que vem. Nesse sentido, ainda não temos certeza sobre quem vai ganhar e quem vai perder, mas meu discurso é de que, certamente, quem não se preparar vai perder. Essa é a questão fundamental”, concluiu.

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Tce
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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