Boulos acusa governadores de MG, RJ e SP de fazerem ‘politicagem’ com a ‘insegurança’

O ministro, que cumpriu agenda em BH, relembrou a falta de apoio dos governadores à PEC da Segurança Pública e criticou a defesa deles à megaoperação no RJ.

Guilherme Boulos (PSOL), ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou nesta quarta-feira (5) que os governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), utilizam a pauta da segurança pública — ou a falta dela — para fins eleitorais.

Em entrevista exclusiva à Itatiaia, o ministro criticou duramente a megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão. A ação resultou em 121 mortos, entre policiais e civis. “Uma operação que mata 120 pessoas ou mais não pode ser considerada um sucesso. É desastrosa”, afirmou.

Boulos comparou a megaoperação no Rio com uma ação realizada pelo governo da Bahia, na última terça-feira (4), também contra o CV. A operação, chamada “Freedom”, envolveu as polícias Militar e Civil da Bahia, além da Polícia Civil do Ceará e da Polícia Federal (PF).

Ao todo, 37 pessoas ligadas à facção foram presas, e 45 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, dentro de um total de mais de 90 ordens judiciais. Apenas uma pessoa morreu.

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De acordo com a Polícia Civil, o suspeito reagiu à abordagem policial e foi baleado. Ele, que não teve o nome divulgado, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. “Operação de verdade, para combater o crime organizado, não se faz com pirotecnia. Não é à base do sangue das pessoas. É asfixiando o esquema do crime, mexendo no bolso deles, atingindo o tráfico de drogas, de armas, e a forma como eles lavam dinheiro”, argumentou Boulos.

Confira:

PEC da Segurança

O ministro lembrou que o governo Lula (PT) apresentou ao Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, mas que o texto enfrenta resistência de governadores de oposição.

“Enviamos a PEC há meses. A proposta permite ao governo federal ter uma atuação mais firme e integrada no combate ao crime organizado. Isso porque o crime organizado não está em um estado só — está no Rio, em Minas, em São Paulo, em tudo quanto é canto. Então essa operação não pode depender apenas de um governador. Agora, o Cláudio Castro foi contra, o Zema foi contra e o Tarcísio também”, disse à Itatiaia.

Para Boulos, os governadores estariam “mais preocupados em fazer politicagem usando a insegurança das pessoas e o temor, natural, diante do crime organizado, do que em efetivamente combatê-lo.”

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista de política da Itatiaia e podcaster no “Abrindo o Jogo”. Mestre em ciência política pela UFMG e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México). Na Itatiaia desde 2006, já foi apresentadora e registra no currículo grandes coberturas nacionais, internacionais e exclusivas com autoridades, incluindo vários presidentes da República. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil.

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