Câmara de BH aprova projeto que prevê internação involuntária de dependentes químicos

A proposta, de autoria do vereador Bráulio Lara (Novo), autoriza a internação dos usuários de drogas - ou seja, mesmo sem autorização dos pacientes

Plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou em segundo turno nesta terça-feira (11) um projeto de lei que institui e regulamenta a internação de usuários e dependentes químicos na rede municipal.

A proposta, de autoria do vereador Bráulio Lara (Novo), autoriza a internação dos usuários de drogas - ou seja, mesmo sem autorização dos pacientes. A intervenção, no entanto, só poderia acontecer caso ficasse comprovado o risco à integridade física do dependente químico ou ainda de terceiros.

No Legislativo, a votação foi conturbada. A sessão começou, às 15h, mas com diversas interrupções do público presente na galeria.

O vereador Wagner Ferreira (PV), que assumia a presidência da Câmara, precisou interromper os parlamentares e pedir silêncio da pessoas que acompanhavam a reunião diversas vezes, mas sem sucesso.

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A sessão chegou a ser suspensa três vezes, totalizando trinta minutos de suspensão.

O texto foi aprovado em forma de um substitutivo apresentado pela liderança de governo na Câmara, vereador Bruno Miranda (PDT), que altera a proposta original.

Na prática, o substitutivo mantém que os servidores da saúde e assistência social poderão solicitar a internação involuntária na ausência de familiares dos dependentes, mas exclui os servidores da área da segurança pública, como a guarda civil municipal, desta prerrogativa.

O novo texto também estabelece um prazo máximo de 90 dias para as internações, que devem ser o último recurso, sendo priorizada apenas após o esgotamento de alternativa.

O substitutivo ainda introduz a obrigatoriedade de informar todas as internações e altas ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Defensoria Pública (DPMG) em um prazo máximo de 72 horas.

A família ou representante legal poderá solicitar a equipe médica a interrupção do tratamento involuntário a qualquer momento.

É constitucional?

À Itatiaia , o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Minas Gerais (OAB-MG), Wagner Dias Ferreira, lamentou o avanço da discussão. De acordo com ele, a internação do projeto “viola o preceito constitucional da liberdade” humana.

Em conversa com a reportagem, o advogado afirmou que o texto deixa algumas lacunas, inclusive quais seriam os critérios médicos que iriam determinar a necessidade ou não de uma internação. “Qualquer pessoa poderia ser internada por uma determinação médica sem nenhum tipo de fundamentação”, disse.

Vereadoras do PSOL também declaram o projeto como inconstitucional. A vereadora Iza Lourença (PSOL) afirmou que a proposta trata a internação como “principal forma de tratamento” e considera a medida como um retrocesso. “Isso é voltar ao século passado, quando as pessoas eram torturadas nos manicômios”, disse.

Ela e a vereadora Juhlia Santos (PSOL-MG) afirmaram que irão acionar a Justiça para derrubar a lei caso o projeto seja sancionado pelo prefeito de BH, Álvaro Damião (União Brasil).

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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