Mais da metade dos candidatos nas eleições municipais se identificam como pretos ou pardos

Segundo informações do TSE, a diversidade racial e de gênero entre os candidatos se mantém

Título de eleitor brasileiro

O TSE anunciou na sexta-feira (16) os dados preliminares das candidaturas para as eleições municipais de 2024. As informações revelam o perfil dos candidatos em relação a gênero, estado civil, idade, escolaridade, cor/raça, ocupação, identidade de gênero, entre outros aspectos.

Foram registrados, até o momento, 455.493 pedidos de candidaturas. O perfil majoritário segue semelhante a anos anteriores: homens (66%), casados (51%), com idades entre 40 e 54 anos, e com ensino médio completo (38,99%).

No quesito cor/raça, 53% dos candidatos se identificam como pardos (41,34%) ou pretos (11,39%) — categorias que, segundo o IBGE, compõem o grupo de negros.

Esse percentual supera o de candidatos que se declaram brancos (45,65%). Além disso, 0,5% dos candidatos se identificam como indígenas, 0,4% como amarelos e 0,7% não informaram sua cor/raça. Quilombolas representam cerca de 1% das candidaturas, totalizando aproximadamente 3.466 pessoas.

As candidaturas LGBTQIAPN+ não ultrapassam 3% do total, enquanto as de mulheres somam 34%.

A grande maioria dos candidatos se autodeclara heterossexual (98,27%) e cisgênero (80%). Os candidatos que se identificam como gays (0,72%), lésbicas (0,45%), bissexuais (0,32%), assexuais (0,13%) e pansexuais (0,05%) compõem menos de 3% do total.

Não foram registradas candidaturas de pessoas transgênero, e 20% dos candidatos optaram por não divulgar sua identidade de gênero.

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Apesar da redução no número total de candidaturas, o percentual de mulheres candidatas permaneceu em 34%, mesmo índice observado em 2020. De acordo com o IBGE, as mulheres representam mais da metade da população brasileira (51,5%).

A diminuição nas candidaturas femininas pode estar relacionada à aprovação da PEC 9/23, conhecida como PEC da Anistia, pelo Senado na quinta-feira (15). A PEC perdoa partidos que não alocaram recursos proporcionais para candidaturas de mulheres e pessoas negras nas eleições de 2022.

Considerada inconstitucional, a PEC impacta principalmente os direitos políticos de mulheres negras, que enfrentam dificuldades para obter visibilidade em um cenário onde o financiamento e a distribuição de recursos não são equitativos.

Os partidos têm até 16 de setembro para solicitar substituições de candidatos, o que pode alterar os números e percentuais apresentados.


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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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