Os resultados da primeira edição do
Para o professor Paulo Leite, superintendente e porta-voz do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), o resultado surpreende,
“Nós entendemos que o nível de exigência mesmo da dinâmica do MEC é bastante elevado, e envolve muitas das exigências que já são cumpridas pelas faculdades do estabelecimento desses cursos. A gente sabe da enorme dificuldade, do grande desafio que é você abrir um curso de medicina por conta das muitas exigências que tem. Então, nós entendemos que é uma situação realmente inesperada, mas para a qual essas instituições já se encontravam preparadas.”
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Segundo ele, além da estrutura e da metodologia, o perfil dos estudantes também pesa no resultado. Faculdades mais novas ou privadas enfrentam uma concorrência maior e lidam com alunos que, muitas vezes, chegam com mais dificuldades no processo de aprendizagem.
Para o professor, notas baixas impactam diretamente a reputação das instituições, mas, de acordo com o sindicato, as faculdades já estão se movimentando para corrigir falhas e melhorar os processos internos de ensino.
“Essas instituições hoje estão principalmente atentas a melhorar internamente as suas didáticas de processos de ensino, e, claro, ver se a interface disso com equipamento, com material, com tudo aquilo que envolve um instrumental, que é bastante exigido pelos órgãos reguladores, está também alinhado com eventuais propostas mais inovadoras e mais aproximadoras do aprendizado.”
Na prática, cursos que receberam conceito 1 ou 2 podem sofrer sanções. A principal delas é a suspensão de novos processos seletivos. Paulo Leite explica que as instituições ainda podem recorrer, mas, se não atingirem o nível mínimo exigido, correm o risco de não abrir novas vagas e, em casos extremos, de encerrar o curso.
“O que ocorre é que elas não poderão abrir processos seletivos novos e precisarão se adaptar dentro do nível de exigência para uma nova avaliação conseguir acender aquele nível mínimo que permita, então, elas continuarem abrindo processos seletivos para a formação de estudantes em medicina. Caso contrário, se não conseguirem, infelizmente, o destino realmente é a finalização daquela instituição como oferta de formação em medicina.”
A preocupação também chega aos estudantes. Na avaliação do Sinepe-MG, quem estuda em instituições mal avaliadas pode, sim, enfrentar resistência no mercado de trabalho, já que o diploma carrega o nome da faculdade.
“Tem um impacto na vida de quem é estudante dessas instituições, porque ela ganha evidência como uma instituição que, de alguma maneira, não foi validada pelos critérios que são exigentes para que ela tenha ali uma condição mínima de oferta. Amanhã, qual é o diploma que estará pregado ali na parede do consultório? É o daquela faculdade.”
Apesar disso, Paulo Leite ressalta que os órgãos reguladores costumam proteger os alunos, especialmente aqueles que estão em fase final de formação. Em situações mais graves, é possível a transferência para outras instituições, sem prejuízo ao estudante.
Sobre a possibilidade de conselhos profissionais impedirem o exercício da profissão por formandos de cursos mal avaliados, o sindicato afirma que acompanha o debate e defende rigor na qualidade, mas sem penalizar injustamente os alunos.
A orientação, segundo o Sinepe-MG, é que instituições, estudantes e famílias acompanhem de perto os desdobramentos do Enamed e cobrem melhorias, garantindo uma formação médica de qualidade e segurança para a sociedade.