MEC abre Sisu 2026 e anuncia sanções a cursos de medicina mal avaliados

Ministro Camilo Santana detalhou o Enamed e afirmou que 99 cursos podem sofrer restrições

Ministro da Educação Camilo Santana e ministro da Saúde Alexandre Padilha

Em coletiva concedida na manhã desta segunda-feira, dia 19, o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou a abertura do Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, e apresentou detalhes sobre o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed. A coletiva contou também com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo Camilo Santana, o Sisu de 2026 será o maior da história. De acordo com o ministro, haverá aumento no número de instituições participantes e na oferta de cursos, incluindo novas graduações adaptadas às transformações do mercado, como inteligência artificial. O ministro afirmou que o Ministério da Educação ainda fará um balanço completo do Enem e que os dados serão apresentados oficialmente nas próximas semanas.

Outro ponto central da coletiva foi o Enamed, exame criado para avaliar a qualidade da formação médica no país. O Enamed é uma iniciativa do Ministério da Educação, conduzida pelo Inep em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, a Ebserh. A prova será aplicada anualmente, a partir de 2025, e vai unificar as matrizes do Enade de medicina com a prova objetiva de acesso direto às residências médicas do Enare. Camilo Santana destacou que mais de 85% dos cursos de medicina avaliados ficaram nas faixas consideradas insatisfatórias, com notas 1 e 2. Segundo ele, o dado reforça a necessidade de um instrumento mais rigoroso de avaliação e regulação da formação médica no país.

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O ministro informou que 99 cursos de medicina poderão sofrer sanções, que vão desde a suspensão de novos ingressos a partir do segundo semestre deste ano até a redução de vagas e restrições ao acesso a programas federais, como o Fies. As instituições terão prazo de 30 dias para apresentar defesa, e todo o processo será acompanhado pelos ministérios da Educação e da Saúde.

Camilo Santana afirmou que o objetivo é garantir a qualidade da formação médica e que o crescimento das residências médicas faz parte da estratégia do governo federal para ampliar o número de especialistas e melhorar o atendimento à população.

O ministro também disse que o MEC estuda medidas legais para ampliar o poder de regulação sobre os cursos de medicina, incluindo a possibilidade de apresentar um projeto de lei ao Congresso. Entre as propostas em discussão está a inclusão do desempenho do aluno no diploma, como forma de ampliar a transparência e a qualidade da formação, além de dar mais autonomia ao ministério para regular cursos em municípios de todo o país.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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