Um homem de 112 anos que ainda caminha e se diverte tocando instrumentos. Essa é a vida de Joaquim Pedro Pimenta, nascido em 1º de janeiro de 1914. O idoso é um patrimônio de Brás Pires, cidade de pouco mais de 4 mil habitantes na Zona da Mata de Minas Gerais.
O senhor Joaquim vive sob os cuidados de seus ex-patrões. Em entrevista à Itatiaia, Maria das Dores Fernandes Lopes, a “Dorinha”, de 65 anos, contou um pouco da história de vida do idoso.
Joaquim já morava e trabalhava na casa dos sogros de Dorinha anos antes dela ir para lá. Ela se mudou após se casar, há cerca de 50 anos, e relatou que o idoso vivia com a família desde quando o seu marido era “um menino”.
O supercentenário nasceu na comunidade do Itajubá, na zona rural de Brás Pires, e viveu nas casas em que trabalhava. Joaquim chegou na casa do marido de Dorinha e pediu por serviço. Ele impressionou a família após capinar sozinho um terreno de arroz e passou a morar no local.
“Eu casei e ele continuou morando comigo, ajudou a criar os filho e criou os netos. Já tem um bisnetinho e ele está aí conosco, graças a Deus”, afirmou Dorinha.
Joaquim passou por uma cirurgia na próstata aos 103 anos. Nos últimos anos, caiu e quebrou o fêmur. No entanto, voltou a andar e continua “bem de saúde”.
Patrimônio de Brás Pires
Para homenagear o cidadão ilustra, a rádio comunitária de Brás Pires prepara uma “plaquinha” para entregar ao senhor Joaquim. A ação foi idealizada por Leonardo Miranda da Silva, mais conhecido como “Meio Quilo”, presidente da Rádio Brasipirense.
Além disso, Meio Quilo articula com a prefeitura e os vereadores para realizar uma moção de aplauso na câmara da cidade em homenagem ao supercentenário.
Uma das pessoas mais velhas do mundo?
Brás Pires articulou para tentar oficializar Joaquim Pedro Pimenta como uma das pessoas mais velhas do mundo. Com 112 anos e 68 dias na data da publicação desta reportagem, o supercentenário seria o número 56 da lista geral e o quarto homem, de acordo com os dados da LongeviQuest.
Atualmente, a pessoa mais velha viva é a britânica Ethel Caterham, que está com 116 anos e 201 dias. Um brasileiro está no topo da lista entre os homens: João Marinho Neto, com 113 anos e 156 dias.
No entanto, o processo de oficialização da idade do senhor Joaquim foi descartado pela Gerontology Research Group, instituição sem fins lucrativos que trabalha pela validação oficial dos supercentenários.
Guilherme Matheus, correspondente nacional da instituição, explicou à Itatiaia que a ausência da documentação do momento do nascimento impediu o prosseguimento do processo.
A certidão de nascimento de Joaquim Pedro Pimenta foi registrada em fevereiro de 1980, quando o idoso tinha 66 anos.
Após tentar a confirmação em diversos locais, como igrejas que pudessem ter realizado o batizado de Joaquim ou documentado os primeiros anos de vida dele, Guilherme descartou o caso.
“A ausência de documentos é um sinal preocupante, porque, sem documentos da fase inicial da vida, que é um dos critérios para validação, a gente não consegue dar andamento no processo. A gente analisa documentos de três períodos da vida: nascimento, meia vida e provas de vida atual”, explicou.
Apesar disso, constam nos documentos oficiais de Joaquim Pedro Pimenta, como no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), que a data de nascimento dele, de fato, é 1º de janeiro de 1914.