Polícia derruba 90 perfis em redes sociais que divulgaram imagens de estupro coletivo em SP
Compartilhamento desse tipo de conteúdo é crime, mesmo que a intenção de quem publica seja a de ajudar na solução do caso

O Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, identificou e tirou do ar mais de 90 perfis mantidos em plataformas de redes sociais que compartilharam os vídeos do caso do estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, que aconteceu no dia 21 de abril na zona leste de São Paulo.
O compartilhamento desse tipo de conteúdo é crime, mesmo que a intenção de quem publica seja a de ajudar na solução do caso. A prática é punida com reclusão de 1 a 4 anos, além de multa, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A Secretaria de Segurança Pública afirmou que os perfis foram monitorados, a exclusão foi solicitada, bem como a preservação dos dados para as investigações. O The National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC), organização não governamental que age como um repositório central para denúncias relacionadas à exploração infantil, derrubou os perfis.
Ao ser acionada, a organização comunica as plataformas de redes sociais para impedir a divulgação do conteúdo apontado. As principais redes sociais abertas, como Instagram, Facebook, YouTube e Threads, e as fechadas ou de conteúdo adulto recebem os avisos da instituição.
“O nosso monitoramento é feito 24 horas, sete dias por semana. Um relatório técnico é gerado e disparado para quem vai executar. Não importa se o perfil é de São Paulo ou de fora”, explica Lisandrea Salvariego Colabuono, delegada à frente do Noad.
A Polícia diz que vai prosseguir com as buscas por perfis que realizaram compartilhamento das imagens. Todos os envolvidos no estupro das crianças foram identificados e detidos. Segundo o delegado Júlio Geraldo, ao longo dos depoimentos, nenhum dos adolescentes demonstrou arrependimento ou remorso por ter abusado sexualmente das crianças.
Entenda o que é o Noad:
O Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD) da Polícia Civil de São Paulo é uma iniciativa pioneira no país voltada ao combate à violência digital, com foco na prevenção de crimes como estupros virtuais e a comercialização de pornografia infantil. O núcleo reúne policiais civis, militares e peritos especializados que atuam de forma integrada no monitoramento de ambientes virtuais.
A estrutura conta com “observadores digitais”, policiais civis infiltrados em comunidades e grupos online, em regime de atuação contínua, responsáveis por identificar atividades criminosas, mapear redes e localizar vítimas.
As informações coletadas são consolidadas em relatórios de inteligência que subsidiam inquéritos policiais e podem embasar pedidos judiciais, como mandados de busca, prisões ou internações.
Além da investigação, o NOAD atua preventivamente, acionando outras unidades policiais diante da iminência de crimes, com prioridade no resgate das vítimas e na responsabilização dos envolvidos.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.
