Chico Felitti lança 'A Síndica', podcast sobre a controversa ex-síndica do JK, em BH
Série de cinco episódios, lançados semanalmente, relembra a tajetória de Maria Lima das Graças à frente do JK

O jornalista Chico Felitti lançou, nesta quarta-feira (6), o primeiro episódio do podcast “A Síndica”, que reconta a história de Maria Lima das Graças e sua atuação à frente do famoso Edifício JK, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, por mais de 40 anos.
A produção é dividida em cinco episódios e explora a trajetória controversa — e, em alguns momentos, perigosa — de “Doutora Graça”, como era conhecida pelos moradores de um dos maiores complexos residenciais do país. O primeiro episódio tem 1h10min de duração.
Na obra, Felitti reúne entrevistas, relatos e bastidores para revisitar os episódios que marcaram a administração de Maria no condomínio. A produção também aborda a relação da ex-síndica com os moradores e as polêmicas que cercaram sua gestão ao longo dos anos.
Entre os casos retratados, está o assassinato de um candidato à sindicância que poderia ocupar o lugar da chamada “Dama de Ferro do JK”, apelido atribuído a Maria antes de sua morte, em março deste ano.
"Ela proibia cachorros de pisarem no chão do JK. E exigia que o condomínio fosse pago em dinheiro vivo. Doutora Graça intimidava seus adversários e desavenças. E mantinha uma rede de funcionários-espiões. 'A Síndica' é a história de como um dos maiores edifícios do Brasil foi governado com mãos de ferro, por meio século, pela mesma mulher. É uma investigação que mostra como essa mulher conseguiu se manter no poder. E como seu mandato chegou ao fim", diz parte da descrição do podcast.
“A Síndica” é um podcast da Pachorra Felitti Áudios, Livros e Filmes, criado e apresentado por Chico Felitti. A direção, o roteiro e a edição de som são de Luan Alencar, enquanto a produção é assinada por Beatriz Trevisan, com assistência de Allan Batista e Pedro Guarache. Catarina Pignato assina a capa, e a gerência do canal é de Domenica Mendes.
Polêmicas
Maria das Graças era jornalista e advogada, e sua gestão foi marcada por denúncias, pressões judiciais e forte embate com os moradores. Enquanto apoiadores destacavam sua dedicação e os cuidados com os idosos, opositores reclamavam de uma administração cara, sem transparência e resistente a mudanças.
A ex-síndica foi alvo de críticas por suposta falta de transparência na gestão e por dificuldades em realizar obras estruturais após o tombamento do edifício pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 2022. Na época, a defesa de Maria alegou que o condomínio possuia muitos moradores com recursos financeiros escassos e que as intervenções vinham sendo feitas na “velocidade possível”.
Em 2024, denúncias de moradores contra a administração foram reveladas, entre elas, a exigência de caução de R$ 4 milhões para candidatos ao cargo de síndico, considerada “abusiva” por especialistas. Também havia reclamações sobre a gestão dos cerca de R$ 700 mil arrecadados mensalmente e relatos de “assédio jurídico” contra moradores que questionavam a administração. Na época, a defesa da síndica negou irregularidades e atribuiu as denúncias a disputas políticas internas.
Em dezembro do mesmo ano, ela e o gerente administrativo, Manoel Gonçalves de Freitas Neto, foram denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por crimes contra o patrimônio cultural. A acusação apontou falta de manutenção nos prédios tombados que compõem o conjunto projetado por Oscar Niemeyer.
A Maria Lima das Graças morreu no dia 14 de março de 2026, aos 78 anos, no Hospital Felício Rocho, no bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, próximo ao condomínio que ela administrou por 42 anos. Ela ficou internada na unidade de saúde por 10 dias.
Chico Felitti
Chico Felitti é jornalista, escritor e podcaster, conhecido por reportagens e produções documentais que abordam personagens marcantes e histórias reais de grande repercussão. Ele ganhou destaque nacional com o podcast “A Mulher da Casa Abandonada”, lançado em 2022, que se tornou um fenômeno de audiência e liderou rankings nas plataformas de streaming.
Além do trabalho em áudio, Felitti também é autor de livros e já passou por veículos impressos e digitais. Suas produções costumam explorar temas ligados a comportamento, poder, desigualdade e personagens controversos, combinando investigação jornalística e narrativa documental.
André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.
