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Morre ex-síndica do edifício JK que comandou a administração por mais de 40 anos em BH

Ela estava internada no Hospital Felício Rocho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte desde o início do mês; a causa da morte não foi divulgada

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Maria Lima das Graças, síndica do Condomínio do Conjunto Juscelino Kubitschek, foi uma das homenageadas em 2024
Maria Lima das Graças, síndica do Condomínio do Conjunto Juscelino Kubitschek, foi uma das homenageadas em 2024 • Sindicon-MG/ Reprodução

A ex-síndica do histórico edifício JK, Maria Lima das Graças, que ocupou o cargo por mais de 40 anos, morreu aos 78 anos nessa sexta-feira (13), no Hospital Felício Rocho, no bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. De acordo com o advogado da família, Faiçal Assruy, ela estava internada desde o dia 4 de março.

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Maria das Graças era jornalista, advogada e uma das fundadoras do Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Minas Gerais (Sindicon-MG), e sua gestão foi marcada por denúncias, embates e pressões judiciais. Em 2023, foi homenageada na Câmara Municipal de Belo Horizonte, durante o Dia Internacional da Mulher, quando recebeu o título de Mulher Extraordinária.

Estado de saúde

Apesar de a causa da morte não ter sido informada pela família, documentos judiciais descreviam o quadro como ''transtorno neurocognitivo grave'', provavelmente decorrente de ''demência associada à Alzheimer''.

''É de se ressaltar, conforme bem asseverado pelo Ministério Público, que o quadro de transtorno neurocognitivo narrado no relatório médico, provavelmente proveniente de demência associada à doença de Alzheimer, com graves comprometimentos cognitivos, dependência integral de cuidados, desorientação no tempo e espaço e ausência de juízo crítico, além de transtorno decorrente do uso de álcool, enseja, em verdade, na investigação se a acusada possui capacidade para os atos do processo, demandando-se, para tanto, análise pericial'', afirmou a defesa da síndica no documento assinado no dia 3 de outubro de 2025, emitido pelo juiz de Direito Bruno Silva Ribeiro, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte.

O trecho integra uma ação penal por crimes contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural à qual ela respondia, relacionados ao abandono do conjunto histórico projetado por Oscar Niemeyer e da sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), que funciona no local. Segundo a Justiça, os danos ocorreram por falta de manutenção adequada do imóvel.

Na ocasião, a Justiça negou o pedido da defesa da ex-síndica para adiar a audiência marcada para 7 de outubro. O juiz Bruno Silva Ribeiro afirmou que havia informações contraditórias sobre o estado de saúde de Maria das Graças. A defesa alegou que ela estaria internada, mas apresentou um relatório médico de uma consulta domiciliar de setembro de 2025, que não comprovava a internação.

Diante disso, o magistrado determinou a realização de uma perícia para avaliar se ela tinha condições de responder ao processo. O processo envolvendo Maria das Graças foi separado e tramita em segredo de Justiça.

No mês passado, o condomínio e o atual síndico, Manoel Gonçalves de Freitas Neto, foram condenados nesse processo. O condomínio deverá pagar R$ 300 mil, e Manoel recebeu pena de três anos, um mês e nove dias de detenção.

Síndico no comando

Manoel, aliado de Maria Lima, foi eleito síndico em setembro do ano passado e segue à frente da administração do edifício. A assembleia foi marcada por tensão, e condôminos questionaram a legalidade da eleição e o uso de mais de 200 procurações apresentadas durante a reunião.

Maria das Graças já estava afastada desde agosto, após o agravamento do estado de saúde, e Manoel atuava como síndico em exercício.

Matéria em atualização

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.