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Mãe internada há 2 anos no Hospital das Clínicas de BH recebe remédio que pode permitir alta

Hérica Elaine Silva, de 33 anos, sofre de hipertensão arterial pulmonar e aguardava tratamento que pode melhorar a condição de saúde e permitir que ela volte para casa e reencontre o filho

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Hérica diz que pensou em desisitr, mas buscou forças no filho
Hérica diz que pensou em desisitr, mas buscou forças no filho • Reprodução

Após dois anos internada no Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, Hérica Elaine Silva, de 33 anos, natural de Coronel Xavier Chaves, no Campo das Vertentes, recebeu, nessa segunda-feira (17), a primeira dose do medicamento Sotatercept. É o primeiro passo para ela receber alta e poder voltar para casa e reencontrar a família, incluindo o filho de 12 anos.

Cada ampola do Sotatercept custa cerca de R$ 50 mil, e ela precisa tomar uma a cada três semanas. Diagnosticada com hipertensão arterial pulmonar (HAP), doença grave e sem cura, ela está internada desde setembro de 2024 no Hospital das Clínicas.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela comemorou a chegada do remédio, após uma longa batalha judicial. A espera foi longa e marcada por incertezas. "Foi muito difícil esperar esse dia. Por várias vezes eu pensei que eu não fosse aguentar", desabafou a paciente, visivelmente emocionada com a notícia. Segundo ela, a gravidade de seu caso e a burocracia em torno do remédio, que ainda não possuía aprovação no Brasil quando as discussões sobre o tratamento começaram, geraram momentos de grande medo: "Eu pensava: 'Meu Deus, eu vou morrer'".

A motivação para seguir em frente veio do apoio de pessoas próximas e da família. Hérica destacou que o pensamento em seu filho foi o combustível necessário para não desistir nos momentos de maior fragilidade: "Pensava muito no meu filho e isso me dava força para poder continuar".

'Dia do meu renascimento'

Hérica relata que chegou a pensar que não conseguiria suportar o período de internação.

"Foi muito difícil esperar esse dia. Por várias vezes eu pensei que eu não fosse aguentar. Todo mundo me pedia para eu ficar tranquila, não me preocupar com nada, que eu só precisava ficar bem para poder esperar o remédio", afirmou.

Ela também se lembra de uma médica que explicou que não havia tempo suficiente para prolongar outras tentativas de tratamento enquanto se buscava uma alternativa para o transplante.

"Eu lembro que uma médica me falou que a gente não tinha tempo para poder ficar fazendo tratamento para tentar baixar o meu painel, para tentar fazer o transplante", relatou.

Para ela, o momento representa a possibilidade de começar uma nova etapa. "E cá estamos nós esperando a [profissional] chegar aqui no meu quarto para eu poder tomar a primeira dose. E digo que hoje é o pior dia da minha vida, é o dia do meu renascimento. Isso é a minha chance de poder ir para casa e ter vida nova", afirmou.

Hipertensão pulmonar

Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a hipertensão pulmonar é uma doença rara que atinge, em média, de 40 a 55 pessoas a cada 1 milhão de adultos.

A doença faz com que a pressão arterial nos pulmões seja mais alta. Apesar de poder atingir qualquer pessoa, a hipertensão arterial pulmonar é mais comum em mulheres, principalmente naquelas entre 20 e 40 anos. Além disso, até 10% dos casos de hipertensão pulmonar são causados por fatores hereditários.

Apoio nas redes sociais

A história de Hérica vem sendo acompanhada por pessoas que se mobilizaram para ajudá-la durante o período de internação, como o projeto Amor que Cura (ação de voluntariado para ajudar crianças e adultos em tratamento contra o câncer).

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.

 

 

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