Banco Master: presidente do STF sai em defesa de Toffoli na condução das investigações

Ministro Edson Fachin afirma que atuação do relator respeita o devido processo legal e a supervisão judicial prevista na Constituição

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, saiu em defesa, nesta quinta-feira (22), do ministro Dias Toffoli, relator das investigações que apuram fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Em nota, Fachin destacou que a atuação de Toffoli está alinhada aos princípios constitucionais e ao papel institucional do Supremo na supervisão judicial dos processos.

“A Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório e pela ampla defesa, respeitando as atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, mas exercendo a regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito desta Suprema Corte pelo ministro relator, Dias Toffoli”, afirmou o presidente do STF.

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A nota é divulgada em meio a críticas dirigidas a Toffoli pela forma como tem conduzido as investigações relacionadas ao Banco Master. Fachin também ressaltou que o Supremo não se intimida diante de ataques e reforçou a defesa institucional da Corte.

“Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de Direito”, declarou.

O ministro lembrou ainda que o Tribunal está em período de recesso e que, nesse contexto, decisões urgentes cabem ao relator do caso ou à Presidência da Corte — atualmente exercida pelo ministro Alexandre de Moraes.

Segundo Fachin, todas as decisões tomadas nesse período poderão ser reavaliadas pelo colegiado com a retomada dos trabalhos.

“As matérias de competência do Tribunal Pleno ou das Turmas, quando decididas no recesso, serão oportunamente submetidas à deliberação colegiada”, destacou.

Fachin também afirmou que a Polícia Federal e o Ministério Público têm atuado dentro de suas atribuições no caso uma tentiva de diminuir as críticas feitas pelas instituiões por conta de decisões de Toffoli no processo. Para o presidente do STF, o caso é grave e exige atuação firme do Estado.

“As situações com impactos diretos sobre o sistema financeiro nacional exigem resposta firme, coordenada e estritamente constitucional das instituições competentes”, afirmou.

Nesta quinta-feira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar um dos pedidos que solicitavam a declaração de suspeição de Toffoli no caso. Segundo a PGR, quatro pedidos idênticos foram protocolados com o objetivo de afastar o ministro da relatoria. O primeiro segue em análise, enquanto os demais foram arquivados por tratarem do mesmo objeto.

A condução do processo tem sido alvo de questionamentos, especialmente em relação a decisões consideradas controversas, que fundamentam os pedidos de suspeição apresentados contra Toffoli.

Leia a íntegra:

Adversidades não suspendem o Direito. É precisamente nos momentos de tribulações que o império da legalidade, discernimento e serenidade demonstra sua razão de ser. É com os olhos voltados para esse dever que miro fatos presentes.

As situações com impactos diretos sobre o sistema financeiro nacional exigem mesmo resposta firme, coordenada e estritamente constitucional das instituições competentes.

A Constituição da República atribui ao Banco Central do Brasil o dever jurídico de assegurar a estabilidade do sistema financeiro, a continuidade das operações bancárias essenciais, a proteção dos depositantes e a prevenção de riscos sistêmicos. Tais competências, de natureza técnica e indelegável, devem ser exercidas com plena autonomia e sem ingerências indevidas.

A atuação da Polícia Federal é igualmente indispensável, sobretudo na apuração de eventuais práticas criminosas de gestão temerária, fraude financeira, manipulação de informações, lavagem de dinheiro e outros ilícitos previstos na legislação penal e financeira.

Cabe à Procuradoria-Geral da República, no âmbito de suas atribuições constitucionais, promover a persecução penal e controlar a legalidade das investigações. O Ministério Público, como instituição permanente, exerce papel fundamental na tutela da ordem econômica e do regime jurídico de defesa dos consumidores.

A seu turno, a Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório, e pela ampla defesa, cumprindo respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, porem, atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo Ministro relator, DIAS TOFFOLI.

No tocante ao Supremo Tribunal Federal, registro que o Tribunal Pleno se encontra atualmente em recesso. Nesse período, matérias urgentes são apreciadas pela Presidência ou pelo Relator, nos termos regimentais. Encontra-se regularmente no exercício da Presidência o Ministro Alexandre de Moraes, Vice-Presidente desta Corte. As matérias de competência do Tribunal Pleno ou das Turmas, quando decididas no recesso, serão, oportunamente, submetidas à deliberação colegiada, com observância do devido processo constitucional, da segurança jurídica e da uniformidade decisória. A colegialidade é método.

É legítimo o exercício regular da jurisdição por parte dos membros do Tribunal no período do recesso, sem exceção. Eventuais vícios ou irregularidades alegados serão examinados nos termos regimentais e processuais. Questões tais têm rito próprio e serão apreciadas pelo colegiado com a seriedade que merecem. A Presidência não antecipa juízos, mas tampouco se furta a conduzi-los.

É induvidoso que todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte Constitucional; nada obstante, é preciso afirmar com clareza: o Supremo Tribunal Federal não se curva a ameaças ou intimidações. Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito. O Supremo age por mandato constitucional, e nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode revogar esse papel. Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e evitar que a força bruta substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo necessária. Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça.

O Supremo fez muito no Brasil em defesa do Estado de direito democrático; fará ainda mais. Sim, todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, isso sempre, mas jamais destruídas. Quem almeja substituir a ousada pedagogia da prudência pelo irresponsável primitivismo da pancada errou de endereço.

Transparência, ética, credibilidade e respeitabilidade faz bem ao Estado de direito. Este deve ser compromisso de todos nós democratas.

Brasília, 22 de janeiro de 2026.
Luiz Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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