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Lula promete 'nunca mais ter apagão' e diz que Brasil pode liderar transição global

Presidente defende contratos antecipados e parceria com setor privado para garantir estabilidade no sistema elétrico

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Em agenda com Minas e Energia, Lula diz que Brasil “não terá mais apagão” e defende biocombustíveis • Aline Pessanha | Itatiaia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, nesta sexta-feira (8), a renovação de 14 concessões de distribuição de energia com contratos válidos até 2031, com a previsão de, cerca de R$ 130 bilhões em investimentos até 2030. Durante a cerimônia, em Brasília, Lula afirmou que a medida busca garantir estabilidade no setor elétrico e evitar novos apagões.

Lula destacou que a estratégia do governo passa pela antecipação de contratos e pela exigência de cumprimento de metas por parte das empresas do setor. Segundo ele, a relação com o setor privado deve ser baseada em compromisso mútuo: “É melhor fazermos esses contratos com antecedência, mas isso é uma exigência mútua, dos empresários e do governo. Nós queremos exigir que tudo o que foi acordado seja cumprido, porque no final quem ganha com essa parceria é a sociedade brasileira.”, declarou.

O presidente afirmou que o Brasil caminha para superar de forma definitiva o risco de crises no setor elétrico. Em agenda ao lado do ministro de Minas e Energia, Alexandre da Silveira, e outras autoridades, o presidente disse que as medidas adotadas pelo governo visam garantir estabilidade no fornecimento e ampliar o acesso à energia no país: “É muito gratificante que a gente apresente à sociedade brasileira a ideia de que a gente possa ter um país que nunca mais terá apagão. A renovação desses contratos é a demonstração de que o governo tem confiança nos empresários e que a gente não vai esperar o vencimento para garantir que o serviço continue sendo prestado da melhor maneira”, declarou.

Além da segurança energética, o presidente reforçou o discurso de inclusão social ao tratar do acesso à eletricidade. Ele criticou desigualdades ainda existentes no país. “Tem gente que diz que este governo só pensa nos pobres, mas não sabe o que é uma criança fazer lição com vela dentro de casa. A gente está trabalhando para que todo mundo tenha acesso à energia, porque isso é dignidade e condição mínima para viver”, disse, ao defender a ampliação de programas de eletrificação para populações vulneráveis.

No campo dos combustíveis, Lula voltou a defender o papel estratégico do Brasil na produção de energia limpa e comparou o desempenho do país com economias desenvolvidas. Ao citar sua última viagem à Alemanha, afirmou ter desafiado autoridades locais ao comparar emissões de carbono: “Eu estou convencido que o nosso combustível não precisa desse mix tecnológico que vocês, europeus, nos propõe sempre”, disse, ao argumentar que o modelo brasileiro pode ser mais eficiente e acessível. O presidente também posicionou o Brasil como protagonista na transição energética global. Segundo ele, o país já apresenta níveis elevados de uso de fontes renováveis. “Nós já temos mais de 50% da nossa energia elétrica renovável e estamos ganhando inclusive, da Europa nesse assunto”, afirmou.

Ao abordar o cenário internacional, Lula mencionou as tensões comerciais com os Estados Unidos e disse que sempre optou por não reagir de forma precipitada: “Eu quero discutir fatos, não quero guerra”, declarou, ao defender uma relação baseada em negociação. O presidente também citou o avanço da China nas relações comerciais com o Brasil e afirmou que o país mantém uma postura aberta a parcerias internacionais com todos os países: “Não temos veto com país nenhum”, disse.

Outro ponto destacado foi a política de controle de preços de combustíveis. Lula afirmou que o governo adotou medidas para evitar que oscilações externas impactassem diretamente o consumidor brasileiro, incluindo a taxação de exportações em momentos de alta.

Por fim, o presidente defendeu a necessidade de o Brasil ampliar sua capacidade interna de produção de energia, inclusive diante da expansão de setores intensivos em consumo, como centros de dados. “Que venham, mas que construam sua própria energia. Nós queremos os nossos próprios datacenters", afirmou.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.