Lula e Xi Jinping conversam por telefone e falam em fortalecimento do sul global

Ligação entre brasileiro e chinês se dá em momento de tensão internacional impulsionada por investidas de Trump na América do Sul, Oriente Médio e União Europeia

Lula e Xi Jinping durante visita do chinês ao Brasil em 2024

Os presidentes brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o chinês Xi Jinping conversaram por telefone na noite de quinta-feira (22). Segundo a agência oficial de notícias do país asiático, a pauta da ligação foi o fortalecimento do multilateralismo e das relações entre os dois países.

A matéria publicada pela agência Xinhua destaca que ambos os presidentes trataram sobre a importância do fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e da relação entre Brasil e China como fortalecimento da cooperação entre países do sul global.

“A China está empenhada em ser sempre uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe (ALC) e em promover conjuntamente a construção da comunidade China-ALC com um futuro compartilhado”, diz trecho da nota da agência oficial da China.

Segundo a agência chinesa, a manifestação de Lula — que até o início da manhã desta sexta (23) ainda não falou oficialmente sobre a ligação — foi no sentido de trabalhar junto ao país asiático para fortalecer a ONU e a cooperação entre os países do BRICS, grupo formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Também na quinta-feira e por telefone, Lula já havia conversado com o líder indiano Narendra Modi. Em fevereiro, o brasileiro fará uma visita oficial à Índia, país tratado como estratégico para a ampliação das alianças comerciais do Brasil e do Mercosul.

As conversas entre os líderes do chamado sul global acontecem em meio às investidas arrojadas do presidente dos Estados Unidos Donald Trump na política internacional. Após a intervenção militar e captura de Nicolás Maduro na Venezuela e o bloqueio comercial ao Irã, a nova menina dos olhos do americano é a aquisição da Groenlândia, o que o coloca em rota de colisão com a União Europeia.

Trump também atua na formação de um conselho da paz para supervisionar o cessar-fogo entre Israel e Palestina na Faixa de Gaza. A empreitada é vista como uma forma de enfraquecer a atuação da ONU em áreas de conflito. Lula foi convidado para integrar o conselho, mas ainda não respondeu ao presidente americano.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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