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Caso Marielle: indicação de delegado preso por acobertar crime partiu da inteligência do Exército

Fato foi citado pelo general Richard Nunes, em depoimento sobre o assassinato; Exército não se posicionou sobre o assunto

Rivaldo Barbosa foi indicado ao cargo de chefe da Polícia Civil do Rio em lista feita pela inteligência do Exército

A indicação do nome do delegado Rivaldo Barbosa para chefiar a Polícia Civil do Rio de Janeiro em 2018 partiu de uma lista da inteligência do Exército Brasileiro. Na época, o estado vivia sob intervenção federal na área de segurança pública e o delegado foi nomeado pelo general Richard Nunes, que se tornou secretário da área, indicado por outro general, Walter Braga Netto, interventor federal e ex-candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022.

Rivaldo Barbosa foi um dos alvos de uma operação da Polícia Federal que prendeu os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes do assassinato. O ex-chefe da Polícia Civil é acusado de receber propina para sabotar as investigações. Ele também teria tentado atribuir culpa pelo crime ao vereador carioca Marcelo Siciliano, rivão dos Brazão.

Richard Nunes foi designado para assumir o comando da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro em fevereiro de 2018, um mês antes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Trecho do depoimento de Richard Nunes na investigação do caso Marielle

O general foi ouvido durante as investigações e confirmou ter sido o responsável pela nomeação de Rivaldo Barbosa. No depoimento, que consta do relatório final do caso após um ano de investigações pela Polícia Federal, ele disse que o nome do delegado saiu de uma lista elaborada pela inteligência do Comando Militar do Leste (CML), responsável pela 1ª e a 4ª Região Militar do Exército, respectivamente, no Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

O general Nunes também confessou que a própria secretaria contraindicou o nome de Rivaldo, mas que ele seguiu com a nomeação.

“QUE assim escolheu o nome de RIVALDO BARBOSA para tal cargo, nome esse que constava emtal lista; QUE a subsecretaria de inteligência contraindicou o nome de RIVALDO, mas o depoente decidiu pelo seu nome, tendo em vista que tal contraindicação não se pautava em dados objetivos”, afirmou aos investigadores.

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Dessa forma, Rivaldo Barbosa assumiu o cargo no dia 13 de março de 2018, véspera do assassinado de Marielle Franco e indicou, no dia seguinte, o delegado Giniton Lages para investigar o crime. Lages também foi alvo da operação da Polícia Federal no último fim de semana.

Para a PF, Giniton Lages foi responsável por desviar o curso das investigações e proteger os mandantes do assassinato - os irmãos Brazão. Em decisão divulgada também no fim de semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do caso, determinou que Lages fosse afastado de suas funções policiais e que fosse monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele também foi alvo de operações de busca e apreensão.

Por meio de nota, o Centro de Comunicação Social do Exército esclarece que as informações solicitadas foram prestadas pelo referido Oficial General à Justiça. “A Força não se manifesta sobre relatórios e/ou processos investigativos conduzidos por outros órgãos e que suas ações são pautadas pela legalidade e transparência”, diz a nota.

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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.