A indicação do nome do
Rivaldo Barbosa foi um dos alvos de uma operação da Polícia Federal que prendeu os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes do assassinato. O ex-chefe da Polícia Civil é acusado de receber propina para sabotar as investigações. Ele também teria tentado atribuir culpa pelo crime ao vereador carioca Marcelo Siciliano, rivão dos Brazão.
Richard Nunes foi designado para assumir o comando da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro em fevereiro de 2018, um mês antes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Trecho do depoimento de Richard Nunes na investigação do caso Marielle
O general foi ouvido durante as investigações e confirmou ter sido o responsável pela nomeação de Rivaldo Barbosa. No depoimento, que consta do relatório final do caso após um ano de investigações pela Polícia Federal, ele disse que o nome do delegado saiu de uma lista elaborada pela inteligência do Comando Militar do Leste (CML), responsável pela 1ª e a 4ª Região Militar do Exército, respectivamente, no Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
O general Nunes também confessou que a própria secretaria contraindicou o nome de Rivaldo, mas que ele seguiu com a nomeação.
“QUE assim escolheu o nome de RIVALDO BARBOSA para tal cargo, nome esse que constava emtal lista; QUE a subsecretaria de inteligência contraindicou o nome de RIVALDO, mas o depoente decidiu pelo seu nome, tendo em vista que tal contraindicação não se pautava em dados objetivos”, afirmou aos investigadores.
Dessa forma,
Para a PF, Giniton Lages foi responsável por desviar o curso das investigações e proteger os mandantes do assassinato - os irmãos Brazão. Em decisão divulgada também no fim de semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do caso, determinou que Lages fosse afastado de suas funções policiais e que fosse monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele também foi alvo de operações de busca e apreensão.
Por meio de nota, o Centro de Comunicação Social do Exército esclarece que as informações solicitadas foram prestadas pelo referido Oficial General à Justiça. “A Força não se manifesta sobre relatórios e/ou processos investigativos conduzidos por outros órgãos e que suas ações são pautadas pela legalidade e transparência”, diz a nota.