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Entenda o que levou o Vai-Vai a polêmica com políticos de direita

Fantasia da escola em desfile no Carnaval gerou protestos de políticos à direita, que apontaram desrespeito às forças policiais; agremiação nega

O Carnaval deste ano terminou, mas a Festa de Momo continua rendendo debates políticos. Uma crítica à violência policial presente no desfile do Vai-Vai, tradicional escola de samba do Grupo Especial de São Paulo (SP), por exemplo, levou deputados à direita e o prefeito da cidade, Ricardo Nunes (MDB), ao centro de uma polêmica. Deputados defenderam o corte da subvenção destinada à agremiação por causa da menção à Polícia Militar na apresentação. O Vai-Vai, por sua vez, emitiu nota na sexta-feira (16) para defender a apresentação feita no Sambódromo do Anhembi.

Primeira escola a pisar na passarela no último dia 10, o Vai-Vai apostou no enredo “Capítulo 4, Versículo 3 - Da Rua e do Povo, o Hip-Hop: Um Manifesto Paulistano”. O título do desfile tem menção a uma canção dos Racionais MCs porque a proposta era falar sobre os 50 anos do hip-hop em São Paulo.

A polêmica se deu porque a escola alvinegra apresentou uma ala em que componentes apareciam fantasiados como policiais de chifres e asas. A ala, batizada de “Sobrevivendo no Inferno”, fazia referência à tropa de choque e era uma alusão a um álbum homônimo dos Racionais, lançado em 1997.

“Racismo, miséria e desigualdade social — temas cutucados nos discos anteriores — foram expostos como uma grande ferida aberta, vide ‘Diário de um Detento’, inspirada na grande chacina do Carandiru”. Ou seja, a ala retratada no desfile de sábado, à luz da liberdade e ludicidade que o carnaval permite, fez uma justa homenagem ao álbum e ao próprio Racionais Mcs, sem a intenção de promover qualquer tipo de ataque individualizado ou provocação”, disse a direção do Vai-Vai, em comunicado.

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O pedido pela suspensão dos repasses públicos à escola, por sua vez, foi encampado pelo deputado federal Capitão Augusto (PL-SP). O pleito foi endossado pela deputada estadual paulista Dani Alonso. Eles fizeram a solicitação a Nunes e, também, ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Proponho que a Vai-Vai seja proibida de receber qualquer forma de recurso público no próximo ano fiscal, como forma de sanção pela conduta ofensiva demonstrada. A medida não apenas servirá de punição, mas também como sinal de que ofensas contra instituições e profissionais de segurança não serão toleradas em nosso estado”, defendeu Augusto.

Prefeito prega cautela

À CNN Brasil, Ricardo Nunes pregou cautela e defendeu diálogo com as partes antes de uma decisão.

“Vamos conversar com a Liga (das escolas de samba), dar direito ao contraditório. Enfim, escutar a todos. Nesse momento, não temos como saber se haverá punição e, se houver, qual será”, apontou.

Tarcísio também criticou a fantasia da ala “Sobrevivendo ao Inferno” e disse que, se fosse jurado, daria “nota zero” no quesito fantasia.

A despeito das críticas, o Vai-Vai afirma que o desfile se pautou apenas por evidenciar características do hip-hop. Antes do desfile, o carnavalesco da escola, Sidnei França, havia anunciado a opção por uma estética diferente em relação ao que se vê nos cortejos tradicionais, marcados por elementos como plumas e costeiros. A ideia era utilizar a passagem pelo Sambódromo como um manifesto em prol da cultura marginal.

“É de conhecimento público que os precursores do movimento hip-hop no Brasil eram marginalizados e tratados como vagabundos, sofrendo repressão e, sendo presos, muitas vezes, apenas por dançarem e adotarem um estilo de vestimenta considerado inadequado para época. O que a escola fez, na avenida, foi inserir o álbum e os acontecimentos históricos no contexto que eles ocorreram, no enredo do desfile. Existimos. Resistimos. E seguimos fazendo carnaval”, afirmou a diretoria do Vai-Vai.

Mano Brown no desfile

A apresentação do Vai-Vai teve, inclusive, a participação dos Racionais MCs. Mano Brown, um dos expoentes do grupo, deu um dos “gritos de guerra” do carro de som da =escola antes do início do desfile. Ele também participou da gravação do samba de enredo da agremiação, presente no álbum com as obras das escolas que desfilaram no Anhembi neste ano.

Na apuração, o Vai-Vai terminou em oitavo lugar, com 269,4 pontos. O resultado foi considerado positivo, uma vez que a escola havia sido rebaixada em suas duas últimas participações no grupo especial — 2019 e 2022,

A Mocidade Alegre, campeã do Grupo Especial de São Paulo, somou 270 pontos na apuração.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
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