Tragédia de Brumadinho: MPF pede rejeição de habeas corpus de ex-diretores da Tüv Süd

Parecer do Ministério Público Federal entende que a argumentação de ex-dirigentes da companhia alemã não justifica a decisão pela liberdade dos réus antes do fim do processo

Tragédia de Brumadinho tem andamentos na Justiça sete anos após tragédia que vitimou 272 pessoas

O Ministério Público Federal (MPF) emitiu um parecer pela rejeição dos pedidos de habeas corpus para três ex-diretores da Tüv Süd, empresa alemã responsável por produzir laudos de segurança meses antes do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em janeiro de 2019.

O trio formado por André Jum Yassuda, Makoto Namba e Marlísio Oliveira Cecílio Júnior é réu por homicídio das 272 vítimas da tragédia e pelos crimes ambientais associados ao episódio.

Se a recomendação for aceita pela Justiça, será mantido o cronograma com audiências de instrução entre fevereiro e maio deste ano.

O parecer foi assinado em 23 de janeiro pelo procurador regional da República Darlan Airton Dias, que argumenta que os pedidos de habeas corpus não apresentaram motivos suficientes para a reanálise das provas do processo.

No pedido de Habeas Corpus, a defesa dos réus alegaram haver uma ‘contradição ontológica’ entre a denúncia e novas provas técnicas que apontam que o rompimento da barragem se deu por uma perfuração de sondagem na estrutura e que a Tüv Süd não teve participação em tal operação.

Para o procurador, o fato não invalida a acusação, mas institui um dissenso que deve ser resolvido durante a fase de instrução e não por meio de habeas corpus.

Agora, cabe aos Desembargadores Federais da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) julgar o mérito do pedido.

Ação na Alemanha

Em paralelo, a Justiça da Alemanha marcou três audiências do processo movido contra a Tüv Süd em seu país de origem. A ação é movida por cerca de 1,4 mil vítimas da tragédia de Brumadinho e requer o pagamento de uma indenização de R$ 3,2 bilhões.

O processo corre no Tribunal Distrital de Munique, cidade onde é sediada a Tüv Süd. As vítimas são representadas pelo Pogust Goodhead, mesmo escritório que representa os atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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